ESCOLA PROFESSOR RAUL BRASIL

Psicólogas alertam para transtornos

A psicóloga e socióloga Marina Alvarenga faz alerta para os casos de violência (Foto: arquivo)
A psicóloga e socióloga Marina Alvarenga faz alerta para os casos de violência (Foto: arquivo).

Por quê? Este é o questionamento que se ouve desde que dois jovens mataram um comerciante de Suzano, cinco alunos e dois funcionários da Escola Estadual Professor Raul Brasil, feriram 11 pessoas e também perderam a vida, nesta quarta-feira na cidade vizinha. O massacre de repercussão internacional causa indignação e afeta o emocional não apenas dos familiares e amigos das vítimas fatais, dos feridos, funcionários e vizinhos da unidade de ensino, como também daqueles que acompanham o caso pelas mídias e redes sociais.

Por conta disso, segundo especialistas da área de Psicologia, é importante o acompanhamento psicológico para prevenir problemas como transtornos de ansiedade, síndrome do pânico, depressão, entre outros transtornos mentais, principalmente àqueles que perderam familiares e amigos ou presenciaram o fato.

Segundo a psicóloga Marina Alvarenga, trata-se de um evento para o qual as pessoas não estão preparadas, principalmente porque a escola, em geral, não é um palco de chacinas como a que ocorreu. “Não só os envolvidos, mas a sociedades está de luto diante de um ato tão violento e traumático, pois, de repente, a vida de jovens foram ceifadas de forma banal. A dor e o sofrimento pode se manifestar não só naqueles diretamente envolvidos, mas naqueles que têm de mandar seus filhos para a escola, ou para professores e funcionários que terão de enfrentar a sensação de dor e medo cotidianamente, até que se consiga retornar à ‘normalidade possível’. O sofrimento mental e psicológico pode se transformar em sintomas físicos, por isso o apoio médico e psicológico é fundamental. Essas pessoas precisam ser assistidas por profissionais, para que possam retomar às suas atividades. Não se pode banalizar a tragédia e nem a dor de todos”, destaca.

A profissional destaca que o evento traumático põe em xeque a segurança e a integridade física de todos os envolvidos. “Por isso a revivescência do fato pode desenvolver outros transtornos, como a síndrome do pânico e o transtorno generalizado de ansiedade, provocando temor, angústia e insegurança, como se revivessem novamente a situação, o que pode prejudicar o funcionamento social ou outras áreas importantes da vida do indivíduo, como a escolar. É preciso uma equipe multiprofissional para dar conta das demandas desses sujeitos traumatizados. Infelizmente, sabemos que na maioria das vezes isso não ocorrerá”, lamenta.

A psicóloga Beatriz Moura também enfatiza a importância do acompanhamento psicológico nestes casos. “Primeiro é preciso conversar para colocar as angústias para fora. O profissional da psicologia irá trabalhar o psicológico e a reabilitação. Quem sofre diretamente e indiretamente a tragédia vai viver com esse fantasma e será preciso fazer terapia. O luto tem que ser vivido para se construir possibilidades de reagir e lidar com o trauma. Precisa ser tratado com acompanhamento e é importante trabalhar a dor coletiva, além das dores individuais e a dos familiares. É uma situação que faz muito eco nas nossas próprias vulnerabilidades. Quando trabalhamos com pessoas que passaram por uma tragédia, tentamos construir para elas uma perspectiva próxima”, considera.

Ela lembra, ainda, que por um tempo será muito difícil restabelecer a rotina, como levantar-se, lavar o rosto, tomar café da manhã e ir trabalhar. “Com o tempo se sentirão melhor e é preciso incentivar a pessoa a continuar com sua vida é importante para que ela possa planejar o seu futuro, depois do que aconteceu e estabelecer as suas razões para viver”, completa.