DIA DA UMBANDA

Quarta Caminhada Contra a Intolerância Religiosa foi marcada pelo respeito

Caminha foi marcada pelo respeito. (Foto: Elton Ishikawa)
Caminhada foi marcada pelo respeito. (Foto: Elton Ishikawa)

Pessoas de todas as classes sociais, etnias, estilos e idades. Todas dançando e cantando juntas, celebrando o amor, a união e a paz, como se não vivêssemos tempos de violências, preconceitos e opressões. Assim foi a 4ª Caminhada Contra a Intolerância Religiosa, realizada ontem entre o Largo do Rosário e a Catedral de Santana, na área central de Mogi das Cruzes, em comemoração ao Dia Nacional da Umbanda.

Mesmo num feriado chuvoso, reunidos pela Associação Cultural e Religiosa Axé Mogi, os participantes somavam número considerável – aproximadamente 200 pessoas, vindas não só de Mogi mas também de Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Biritba Mirim, Itaquera e Guaianazes.

Logo após a primeira apresentação musical no Largo do Rosário, do Instituto Zambie, o pequeno e bem articulado mogiano Heitor Queiroz, de apenas 10 anos, teve um momento de fala e resumiu muito bem o significado do evento: “insistir, persistir, existir, resistir, nunca desistir” e também “unir,  independente de posição e opinião política, deixando de lado o ego”.

Na sequência, quem completou a fala dele foi a cantora Cristoilma, que fez o público se mexer com canções que falam do “respeito à diversidade cultural, artística, religiosa, de gênero e ao ser humano”. Além disso, entoado com carinho por quem estava no Largo do Rosário, o hino da Umbanda mostra que trata-se de uma manifestação cultural e religiosa embasada no amor e “cheia de luz”.

As palavras ajudam a entender o clima de união, mas as boas energias estavam perceptíveis também nos detalhes. Nas vestimentas dos envolvidos a cor predonimante era o branco, em referência à paz. E no momento da capoeira, por exemplo, o sentimento de inclusão ficou claro, já que um jovem jogou com um idoso, e na sequência, com uma mulher.

Tudo isso foi pensado pela organização, como conta Roberto de Araujo Sousa, Pai Roberto D’Xangô, sacerdote da Umbanda local.“Estamos sempre em contato com integrantes de outras religiões para promover o que temos em comum, que é o amor, a caridade, o amor o próximo e a luta pela melhora da cidade. O objetivo é desmistificar o não conhecimento”.

Dito isso, depois da apresentação do grupo Afoxé Filhos do Cacique, vindo da Zona Leste de São Paulo, a caminhada seguiu pela Rua Dr. Paulo Frontin até a Catedral de Santana, onde padre Ézio Bellini recebeu a todos de braços abertos, provando que, de fato é possível conviver em harmonia com os mais diferentes tipos de crença.

Este ato representa muito, não só para a Umbanda mas também paras manifestações com influencias africanas, já que o evento de ontem abriu a programação do 7º Festival de Cultura Negra da cidade. As atividades se estendem até o próximo dia 30 – saiba mais em www.cultura.pmmc.com.br.

Durante toda a agenda, a “participação de todos” é realmente válida, como mostrou a atendente Jackeline Fernandes, 23. Ao som animado dos tambores, berimbaus e outros instrumentos, ela dançava feliz, carregando no colo o filho Pedro Henrique, de 1,2 ano. “Ele foi gerado dentro da Umbanda e vai frequentar até os 18 anos, quando será livre para escolher. Até lá, vou passar a ele todos os valores importantes que aprendemos por aqui”.


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