EDITORIAL

Quase um ano de espera

Não deu outra: o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) deu mais prazo ao consórcio que está duplicando o trecho da Mogi-Dutra, entre Mogi das Cruzes e Aruá, em mais 11 meses, confirmando o que este jornal vaticinou em diferentes oportunidades nos últimos tempos.

O ritmo das obras não condizia com o acordado no contrato para a execução da obra, que previa a entrega das pistas duplicadas neste mês. E deu no que deu. Pelo menos mais 11 meses de espera pela melhoria do acesso.

O motivo do atraso tem todos os ingredientes da cultura de imprecisão existente nas obras públicas no Brasil, algo que tão bem explica o descrédito do estado junto à opinião popular. Nem mesmo quando todas as evidências atestavam, até para leigos em engenharia e construção, o governo do estado admitiu a verdade.

Novidade? Nenhuma. Nessa semana mesmo, quando a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) anunciou um chamamento público para avaliar a reação do mercado ao projeto de entregar as estações de trem de Jundiapeba, Mogi das Cruzes e Estudante para a iniciativa privada reformar e explorar comercialmente, esse mesmo assunto volta à baila. Quando foram reformadas as estações entregues mais recentemente, Suzano e Poá, as obras atrasaram seis anos. E, detalhe, a estação suzanense foi entregue parcialmente.

Os custos dessa cultura são grandiosos, financeiros, sociais e até políticos (ainda que estes últimos, sejam em termos, porque o eleitor, infelizmente, ainda não reage à altura, substituindo os políticos que falam uma coisa, e fazem outra).

No horizonte, não há mudanças nesse quadro que causa ojeriza ao cidadão e ao contribuinte, mas parece fazer algum bem aos conglomerados da construção civil. Nesse caso, da Mogi-Dutra, o DER diz que o atraso não determinará o pagamento a mais do que o acordado. A se conferir.

Diferente do passado, hoje, os projetos executivo, financeiro, preliminar, e qualquer nome que se dê têm à planificação da gestão pública, tem plenas condições de acertar as datas. A quem o atraso interessa? Com certeza, não à população que paga os impostos à vista, e recebem os serviços públicos desqualificados.


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