IMOBILIÁRIO

Queda de juros dá novo alento para habitação

futuro Mudanças no crédito imobiliário podem abrir perspectiva de novos investimentos na área. (Foto: arquivo)
FUTURO Mudanças no crédito imobiliário podem abrir perspectiva de novos investimentos na área. (Foto: arquivo)

Empresários, consultores e profissionais que atuam na área de construção civil acreditam que a redução das taxas de juros do crédito imobiliário, anunciada nesta semana pela Caixa Econômica (CEF), deve provocar um aumento na procura por financiamentos no município. A medida, que entrará em vigor na segunda-feira, cria novas oportunidades às famílias interessadas em comprar a casa própria e abre perspectiva para novos investimentos na área.

O engenheiro da JBianchi Construtora, Fábio Bianchi, acredita que a medida terá impacto positivo no setor, porque incentiva a iniciativa privada a seguir na mesma linha e abre o leque de oportunidades para os compradores. Ele explica que o forte da Caixa são os imóveis do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, destinado a um público mais popular. Porém acredita que mesmo as construtoras, como a que ele representa, que atendem um público classe média e alta, também serão beneficiadas porque “a tendência é que os bancos privados sigam a CEF e também abaixem os juros, refletindo em todo mercado”.

De qualquer forma, o engenheiro assegura que o setor, que nos últimos anos registrou queda e sofreu com a total estagnação nos negócios, começa a dar sinais de reaquecimento, com a retomada nas vendas, tanto que a JBianchi encerrou o estoque de imóveis residenciais, e já tem planos.

A construtura planeja lançar novos empreendimentos no primeiro trimestre de 2020. “O período é ideal para esse tipo de investimento, porque, além da queda nas taxas de juros, os imóveis, que registram queda nos últimos meses, ainda estão sendo comercializados com valores abaixo do mercado”, destaca Bianchi.

O advogado João Eli Teixeira, que atua como consultor imobiliário para a Helbor e outras construtoras da cidade, também demonstra otimismo com as medidas de incentivo anunciadas pela CEF. Ele disse que a redução de taxa mínima que passou de 8,5% ao ano para 7,5%, incluindo a TR (que hoje está zerada), é significativa e pode ajudar principalmente aqueles que apesar de ter uma reserva, não se sentiam seguros em investir na compra de imóveis por conta da instabilidade da economia.

Atualmente, uma pessoa que financiar um imóvel de R$ 250 mil em 30 anos terá que pagar mensalidade de R$ 3 mil. Com a redução nas taxas de juros imobiliários, essa prestação cairá para R$ 2 mil, com o saldo da dívida corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), seguindo a inflação.

Na opinião dele, a queda nas taxas deve promover aumento na procura por financiamentos de imóveis, contribuir para retomada dos investimentos na construção civil, além de movimentar a economia com a abertura do mercado de trabalho e de todo o comércio que movimenta o setor, como a venda de materiais de construção, móveis e outros segmentos.

A notícia sobre a queda de juros imobiliários também foi recebida com otimismo pelo corretor de imóveis Denilson Cruz, que reclama da total estagnação no setor nos últimos anos. “Qualquer medida nesse sentido é bem-vinda, porque quanto mais baixo o juro, maiores são as chances das pessoas retirarem o dinheiro do banco para empreender e investir em compra de imóveis”, avalia. Ele diz que atualmente “a situação está tão complicada que muita gente prefere deixar o dinheiro aplicado, pagar aluguel e viver com os rendimentos”, comenta.

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta semana a redução dos juros para financiamentos imobiliários com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A taxa mínima passou de 8,5% ao ano para 7,5%, mais a Taxa de Referência (TR). Isso representa uma taxa máxima de 9,5%. As simulações podem ser feitas no site da Caixa.

O Diário tentou ouvir o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil da região sobre os impactos dessa medida para o mercado e expectativas quanto à abertura de vagas de trabalho. Porém, apesar da insistência, não obteve retorno. Na sede de Suzano, a informação era de que todos os diretores estão viajando e não poderiam atender a reportagem.

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