Quem dará um basta?

Nos últimos dois anos, os picos de lentidão e congestionamento na Rodovia Mogi-Bertioga não são registrados apenas nos finais de semana prolongados e férias. Na quinta-feira passada, a viagem entre Mogi das Cruzes e Bertioga chegou a levar mais de três horas. Culpa do outono mais quente das últimas décadas? Não. Culpa do descaso com Governo do Estado com uma demanda em crescimento aferida pelos moradores do entorno da estrada já há algum tempo. O trânsito parado virou rotina na Mogi-Bertioga, saturando a paciência dos motoristas e isolando milhares de pessoas que residem ao lado da estrada, nos distritos de Taiaçupeba e Biritiba Ussu, e em bairros em expansão, como a Vila Moraes. O problema não ocorre apenas na descida para a praia. Em muitos domingos, o retorno leva até cinco horas.Em Mogi das Cruzes, alguns fatores tendem a piorar a vida de quem reside naquele lado da Cidade e dos motoristas. Quem reside no entorno nas proximidades da Vila Moraes já nota a elevação da ocupação dos terrenos por causa da duplicação da Avenida Kaoru Hiramatsu e da construção de conjuntos populares e condomínios instalados em novos loteamentos.
Na quinta-feira passada, enquanto motoristas enfrentaram até quatro horas conseguir colocar o pé na areia, o isolamento de bairros mogianos prejudica trabalhadores e moradores.
Sonhada no passado, a duplicação da Rodovia Mogi-Bertioga consolida-se como algo praticamente inatingível técnica e financeiramente. Aliás, esses são os argumentos para o engavetamento de um antigo pedido feito por Mogi das Cruzes e Bertioga ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Trata-se, mesmo, de uma obra complexa por causa dos impactos ambientais que ela representaria à Serra do Mar. Sim, mas é então? Tudo trava e ponto final? O que será feito para minimizar os problemas atuais dos motoristas e dos moradores?
Ideias surgem como a ampliação de faixas no perímetro urbano ou a inversão de mão, nos finais de semana – algo solicitado há décadas. O entrave maior é a falta de reação a um mal que repete exatamente o que ocorre na Rio-Santos, que trava nos fins de semana ensolarados.
Autoridades não têm demonstrado real interesse em pressionar o Governo do Estado a encontrar uma solução definitiva. O mesmo se dá com o comando da Polícia Rodoviária que, em tese, deveria se sensibilizar com o caos e usar prerrogativas que possui para ao menos testar alternativas, como a inversão de mão. Não adianta esperar uma ampla reação dos motoristas, que são dispersos entre si. Muitos mudam hábitos. Quem tem casa na praia não desce nos dias de movimento. Os mogianos prejudicados pelo isolamento podem fazer a diferença nessa luta. Este jornal apoia essa causa.


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