Quem degusta filé

Se tudo quanto nos dispusermos a fazer tiver como alicerce os quatro pilares que se escondem sob a sigla PSDO – a não ser que haja um senhor acidente de percurso – leva em seu bojo a certeza de que tudo vai ser coroado do mais pleno êxito.- Ora, conservo cá uma certa reserva quanto à sua colocação, pois, olhando para a sigla, ela me passa a clara sensação de que se trata de um partido político, o que, convenhamos, longe está de ser garantia de sucesso para algum empreendimento que se preze.
– Entendo e perdoo a desconfiança que você dispensa à minha sigla, porém, asseguro-lhe com todas as letras que não se trata daquilo que permeia a sua imaginação, visto que aquelas quatro simpáticas letras querem dizer, pura e simplesmente: Prático – Simples – Direto e Objetivo. Pois, então, permanece ainda com aquela sensação?
– Ora, pois, agora ela já se desvaneceu e, concordo em todos os sentidos que, se as coisas forem executadas sob a égide dessas quatro palavras, certamente o bom sucesso virá, não em ritmo de trote, mas a galope.
– Pois é, quem deveria estar atuando a pleno vapor sobre esses quatro pilares, seria a cúpula que dirige os destinos desta nossa terra do Caburaí ao Chuí e da Seixas à Contamana. Mas qual o quê, os da cúpula querem mais é que a praticidade se exploda, que a simplicidade se dane, que a linha reta se lasque e a objetividade? O diabo que a carregue o mais distante que puder.
– É por essas e outras que a nossa querida terra urra e berra. O povo brasileiro já não suporta mais a incompetência desses pseudos gestores que não são capazes de gerenciar, nem o pequeno âmbito de suas próprias casas, mas que, movidos por interesses fétidos e escabrosos, estufam o peito, dão uma de patriotas – ou idiotas? – e se colocam na posição de perenes defensores dos mais lídimos interesses do Brasil.
– Perenes defensores? Pelo amor de Deus! E o pior de tudo é que essa camarilha de caraduras não fica nem um pouquinho vermelho, em face das homéricas patuscadas que apronta, sempre com os olhos a saltarem das órbitas em cima da garoupa, aquele simpático peixe, muito comum no Sudeste brasileiro, que chega a medir até um metro de comprimento e que foi escolhido para ilustrar as convidativas e tentadoras cédulas de cem. E quanto ao povo? Ora, o povo que fique entalado na parte mais profunda do poço. Quem degusta filé vai querer curtir o osso?


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