EDITORIAL

Quem explica?

Mogi está muito próxima de inaugurar a Avenida das Orquídeas

Com um atraso de mais de um ano, a Avenida das Orquídeas está muito perto de cumprir, em parte, o plano arquitetado pelos ex-prefeitos de Mogi das Cruzes e Suzano, Waldemar Costa Filho [1923-2001] e Estavam Galvão de Oliveira no passado.

Aliados políticos, os dois estavam à frente das prefeituras das duas cidades, no final da década de 1970. Durante um telefonema, eles decidiram iniciar a construção de uma nova alternativa à antiga estrada São Paulo-Rio, a SP-66, que começava dar os indícios de saturação que hoje complicam a vida de milhares de pessoas e geram prejuízos no escoamento de produtos. Nasceria, uma nova Mogi-Suzano, do lado esquerdo da linha ferroviária, conforme o combinado pelos dois.

Waldemar começou a estender a Avenida Adhemar de Barros entre Braz Cubas e Jundiapeba. Estevam alongou a Avenida Jorge Bei Maluf até o Rio Tietê, também do lado esquerdo da rota de trens, mas no sentido contrário.

O folclórico político dá conta que ambos não se entenderam ao afinar a proposta. Eram outros tempos.

Certo é que se passaram mais de quatro décadas e Mogi das Cruzes está muito próxima de inaugurar a Avenida das Orquídeas e Suzano parou de fazer a parte que lhe cabia no encontro com o Rio – logo depois desse ponto, a pista afunila-se até a passagem de nível de Jundiapeba.

Mais do que provocar lentidão, o afunilamento torna a alternativa perigosa e desconfortável.

No início desta semana, o prefeito Marcus Melo previu para breve a abertura do acesso que levará os veículos para a Jorge Bei Maluf ou a própria SP-66, e conta ter dado os primeiros passos para tratar do assunto com o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PL). Será preciso definir como será o ordenamento do tráfego a partir da inauguração.

Nessa história há uma outra pendência inexplicável. Iniciada em abril de 2016, a nova interligação entre a Guilherme Jorge e a Tenente Onofre Rodrigues de Aguiar está concluída, segundo informa a Prefeitura, mas não pode ser aberta ao tráfego. Isso por culpa, aponta o prefeito Marcus Melo, da burocracia imposta pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) durante a análise do licenciamento ambiental.

É algo curioso. Os serviços foram iniciados em abril de 2016, mas antes disso, deveriam ter sido cumpridas – espera-se – todas as etapas legais para a execução do projeto. Três anos depois, mesmo com os atrasos e os aditamentos no contrato, o licenciamento não foi finalizado.

E olha que se trata de uma obra pública. Imagine o que enfrenta o cidadão comum, em situação semelhante.