ARTIGO

Quem fala muito

Diego Capua

Se a todo momento e em qualquer situação podemos tirar lições valiosas para a nossa vida, temos uma já um pouco antiga, mas que alguns teimam em não tomar para si: a imagem do técnico Tite gritando em uma partida de futebol a expressão “fala muito, fala muito!”. Oras! Quando alguns vão aprender que não é necessário falar tanto! Nestes dias que passaram tivemos a revelação de que o Rodrigo Janot planejou dar cabo da vida de Gilmar Mendes, situação que reflete muito bem a necessidade de parcimônia com as palavras. Há muito tempo temos sofrido com a síndrome dos holofotes de integrantes do Judiciário e de operadores do Direito, os quais não medem as suas palavras e opiniões, e ora acabam por chegar quase que ultrapassar, se é que não ultrapassam, os limites da ética profissional ou do comportamento exigido de quem possui tão elevado cargo em nossa República.

Não defendendo qualquer comportamento homicida, mas o desejo de matar nasceu por consequência de o Ministro falar demais, principalmente quando esse estopim foi decorrente de um incidente processual lícito e correto. Entendendo o Sr. Gilmar que não estavam presentes os requisitos para sua suspeição, deveria ele, no processo, com ética e consciência, rejeitar as alegações e não atacar a filha do então procurador geral da república.

Estão falando demais! Integrantes do judiciário, principalmente das altas cortes, não devem a todo momento estarem em frente às câmeras ou se utilizando de seus votos para atacar e expor críticas a qualquer indivíduo. Não é isso que uma sociedade espera de seus magistrados!

Pode parecer algo provinciano o que irei questionar aqui, mas, olhando para países como Estados Unidos e Inglaterra pergunto: Quando vemos opiniões pessoais de integrantes das cortes supremas daqueles países darem suas opiniões ou serem objeto de notícias por proferirem palavras ácidas contra qualquer pessoa? É raríssimo, praticamente não temos conhecimento de uma ocorrência similar. E vejam que a Inglaterra passa por um momento conturbado, com a suspensão de atividades do Parlamento e os Estados Unidos com o Presidente sob um processo de impeachment, mas não há na mídia, local ou mundial, qualquer notícia de que algum integrante das cortes superiores tenha se manifestado sobre o assunto. No máximo sabemos da decisão dada em um processo.

E é isso que precisamos em nosso país. Se o comportamento adotado fosse esse, mais reservado e técnico, certamente não teria surgido essa ideia de vingança extrema.

Por isso, se alguém, nem mesmo que seja uma entidade que não faça parte desse nosso mundo físico puder, leve uma palavra aos integrantes de nossas cortes: Pessoal, vamos falar menos, para que está ficando chato! O Brasileiro não aguenta mais passar tanta vergonha!

Diego Capua é advogado

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