EDITORIAL

Quem se importa?

Fosse um patrimônio natural, histórico e turístico reconhecido pela sociedade civil e os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, a imagem da montanha de lixo parada ao lado da ponte do Rio Tietê, na avenida Prefeito Carlos Ferreira Lopes, publicada por este jornal, na edição de sexta-feira teria força para a adoção de medidas imediatas para, pelo menos, nesse ponto, a sujeira ser de retirada.

Desde a semana passada, o monte de plantas aquáticas e do lixo jogado dentro do rio – garrafas, plásticos, etc – começou a ser observado por quem circula na passagem entre o Mogilar e o Jardim Rodeio, hoje um trecho fechado para o trânsito em função das obras de ampliação da canalização do etanol, comercializado pela Petrobrás.

A barreira de sujeira não avançou rio abaixo, como era de esperar, pela quantidade da vegetação – um sinal de morte e não de vida nas águas do Tietê. As plantas se proliferam porque se alimentam da poluição. A presença dos aguapés e algas é sinal de alerta sobre a diminuição dos índices de oxigênio.

Com o nível um pouco mais alto, o rio empacou naquele ponto, como se estivesse a chamar a atenção para tanto descuido, negligência e abandono. Essa montanha é um grande argumento para se cobrar o desassoreamento do trajeto urbano do rio Tietê. As últimas intervenções para retirar o que impede a movimentação das águas (galhos, areia, plantas) não atenderam os pontos onde os índices de poluição começam a piorar entre a divisa de Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim, e os bairros de César de Souza, Rodeio e a Ponte Grande.

A última limpeza, a partir de 2017, teve início no ponto onde o ribeirão Ipiranga encontra o Tietê, na Vila Industrial.

Na verdade, o Tietê está do jeito que está porque na cidade à beira dos 490 mil habitantes, poucos reagem ao estado terminal do rio que recebe uma carga brutal de esgoto doméstico diariamente e ainda é cesto de lixo para uma parcela da população sem um pingo de consciência ambiental.


Deixe seu comentário