EDITORIAL

Quem se importa?

Se captação de recursos para o Carmo não acontecer logo, Mogi perde o ProAC

É lamentável o histórico do primeiro ano de captação de recursos financeiros para as reformas emergenciais das Igrejas das Ordens Primeira e Terceira do Carmo. Desde 23 de junho do ano passado, quando Mogi das Cruzes foi beneficiada pelo Programa de Apoio à Cultura, o ProAC da Secretaria de Estado da Cultura, apenas uma empresa, o grupo JSL, com sede no Distrito de Braz Cubas, se dispôs a direcionar R$ 168 mil do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o projeto de combate à ação do tempo e aos cupins no conjunto tombado como patrimônio histórico nacional.

Se captação de recursos não acontecer logo, Mogi perde esse incentivo.

O recurso conquistado significa 21% do total que as Igrejas do Carmo poderão captar para realizar os serviços, R$ 800 mil. Assim funciona o ProAC: ao invés de o dinheiro do imposto recolhido por uma empresa cair na conta da Secretaria de Fazenda, ele segue diretamente para a conta do Carmo.

Sem chegar ao menos aos 30% do total direcionado para o Carmo, não há como utilizar o dinheiro já destinado pela JSL.

De janeiro a maio deste ano, os mogianos pagaram R$ 103,2 milhões em ICMS. Os R$ 800 mil que podem ser captados para o Carmo correspondem a 0,7% desse montante. Então, vem a pergunta: por que ninguém mais se interessou por essa causa?

Ainda que se considere o desconhecimento e o temor de uma parte dos empresários sobre a possibilidade de contribuir com a preservação do patrimônio histórico em troca da divulgação de sua marca, as dificuldades dessa operação reforçam o sentimento sobre a passividade da sociedade civil organizada, das classes política e acadêmica diante da destruição da história de Mogi.

Mesmo contando com braços legais como o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Paisagístico (Comphap), a prática da proteção não deslancha.

A primeira e última grande obra de restauração das Igrejas do Carmo está completando 35 anos. Nesse tempo, apenas serviços pontuais foram feitos. Hoje, nem o Museu das Igrejas do Carmo, o MIC, está aberto à visitação.

Pelo andar da carruagem, a situação precária de pinturas antigas e das próprias condições das peças de madeira corre o risco de não ser debelada – não por falta de alternativas para se conseguir o dinheiro público, mas pelo desinteresse e descaso de atores com poderio de articulação (gestores públicos, religiosos, culturais e acadêmicos, políticos) que poderiam agir com um pouco mais de fervor junto ao empresariado.

Se captação de recursos para o Carmo não acontecer logo, Mogi perde o ProAC