EDITORIAL

Questão de cidadania

A cada semana, em Mogi das Cruzes, a empresa encarregada dos serviços de limpeza pública e coleta de lixo urbano é obrigada a substituir 16 lixeiras que foram arrancadas, furtadas ou queimadas, por obra de vândalos que circulam pela Cidade, especialmente no período noturno, promovendo os mais diferentes tipos de atentados contra o patrimônio público e privado.

Os recipientes instalados junto aos postes ou em suportes específicos, nas ruas do Centro e bairros mogianos, não são as únicas vítimas desses baderneiros irresponsáveis.

Paredes e muros de casas particulares ou prédios públicos são pichadas por gangues que chegam a disputar os locais de acesso mais difícil para ali colocarem suas marcas muito próprias, geralmente grafadas com palavras ininteligíveis que fazem parte de um dialeto específico dos grupos que travam uma espécie de desafio para mostrar quem consegue realizar as maiores proezas, representadas pela maior quantidade de sujeira despejada sobre as propriedades.

A sinalização, especialmente as placas de ruas e estradas, também é alvo desses marginais que não pensam duas vezes antes de transformar os painéis informativos em alvos para exercício de tiros com armas de fogo, portadas ilegalmente por eles.

As ações se tornaram rotineiras e, por isso mesmo, a Cidade que deveria dar exemplo de limpeza, asseio e hospitalidade aos daqui e aos que vêm de fora, acaba por se tornar uma espécie de outdoor gigante, marcado por tintas e cenas desprezíveis, traduzindo uma imagem que, nem de longe, espelha o verdadeiro espírito da mogianidade de grande maioria da população.

A situação que, a princípio, poderia ser encarada como um caso de Polícia – que, por sinal, pouco tem feito para coibir tais abusos –, passa a exigir uma ação comunitária mais forte, voltada para estender a todos os cantos de Mogi lições de cidadania que ajudem a conscientizar tais vândalos a não cometerem tais atrocidades contra a Cidade, onde eles vivem juntamente com seus familiares.

Uma ação que poderia começar pelas escolas, se estender junto aos clubes de serviços e associações de bairros, até sindicatos, instituições e a comunidade em geral, visando conscientizar a todos, especialmente os mais jovens, da importância da vida em comum e do consequente respeito entre cidadãos que precisam conviver em harmonia com familiares, vizinhos, amigos e demais integrantes da polis.

O que não pode admitir é que Mogi das Cruzes continue a ser tratada de maneira tão irresponsável por alguns poucos que demonstram desconhecer o sentido do bem comum e insistem em transformar ruas e praças da Cidade numa terra sem lei, desrespeitando sempre as mais comezinhas regras da civilidade e civismo. A responsabilidade por isso é de todos nós, mogianos.