CIRCUITO

Rafael da Costa: marketing é investimento, mesmo na pandemia

Rafael da Costa Rodrigues. (Foto: divulgação)

O publicitário Rafael da Costa Rodrigues, que é pós-graduado em Gestão Estratégica de Comunicação e Marketing e tem MBA’s em Gestão de Liderança e em Marketing Digital, acredita que a pandemia do novo coronavírus seja um bom momento para anunciar, desde que “de forma correta”. Além das plataformas digitais, nesta entrevista ele indica veículos de mídia tradicionais e ressalta a importância de estabelecer uma estratégia séria e criativa. Vale anunciar em ‘lives’ de artistas e também vale aparecer na TV, mas sempre com “planejamento e coerência técnica”. Para ele, que também analisa as consequências que o novo coronavírus deixará no setor publicitário, “o empresário que não entender que a publicidade é a mola propulsora para os resultados estratégicos da sua empresa está definitivamente fora do jogo”.

Rafael da Costa Rodrigues. (Foto: divulgação)

Como tem se comportado o mercado publicitário durante a pandemia?

Estamos nos adaptando ao momento. Muitos empresários foram pegos de surpresa e estão reinventando seu negócio. A procura por demanda de e-commerce e gestão de redes sociais cresceu bastante. A ideia é colocar de alguma forma a marca em destaque e promover o negócio da melhor forma possível. De fato, esse momento irá mudar o mindset de como os empresários lidam com o marketing de suas empresas. A relação consumo mudou de um dia para o outro e as empresas precisam se adaptar a isso para sobreviverem.

O profissional desta área precisou se reinventar para manter a carteira de clientes e também captar novos? De que maneira?

O marketing é uma ciência atual e está ligado diretamente a modernidade e tecnologia. A grande adaptação foi em como evidenciar ao mercado e aos empresários as alternativas que temos para ajudar as empresas a se reinventarem de um dia para o outro. O diálogo passou a ser mais fluido e o empresário começou a enxergar o marketing como investimento e não como custo.

Esse é um momento propício para anunciar? Por quê?

Sim, desde que de forma correta respeitando os protocolos técnicos de mídia e performance. Quem tiver bom senso, sensibilidade e tato para trabalhar o seu produto ou serviço colherá bons frutos. O mercado está em transformação, e não estagnado. Temos que olhar para o futuro e nos encontrar nele. As crises passam, as empresas ficam e junto com ela fica o passivo ou ativo das suas escolhas e decisões estratégicas.

E as empresas de Mogi e região estão anunciando? Onde?

Sim, os investimentos estão latentes em digital e também em mídias tradicionais como a TV. Tivemos clientes que nunca haviam realizado inserções na TV e durante a pandemia resolveram experimentar. Gostaram e estão renovando suas ativações de mídia.

Que plataformas você recomenda para anúncios?

Google Ads, Facebook Ads e mídias tradicionais como TV local. Vale lembrar que a plataforma sozinha não gera o resultado esperado. Tudo é um composto de criatividade, estratégia, planejamento e coerência técnica. Publicidade é um negócio científico, existem caminhos para diferentes necessidades. Não é anunciar por anunciar.

Veículos offline, como jornal impresso e televisão, continuam trabalhando mesmo em meio à pandemia, principalmente devido ao jornalismo. Então veículos no formato tradicional/analógico são boas opções para divulgar produtos e até mesmo serviços?

Sim, esses meios são fontes de credibilidade e idoneidade de informação. Eles estabelecem uma conexão direta com o público. Geram proximidade. Usá-los em seu composto de marketing é uma estratégia eficiente e rentável. Tudo é uma questão de adequar o tom correto da comunicação ao meio que será veiculado.

Aliás, notícias tem sido muito procuradas durante a quarentena. Isso quer dizer que plataformas jornalísticas são indicadas? Isso vale para todos tipos de anunciantes? Como escolher onde divulgar, considerando que há diferentes tipos de empresas do gênero (portais, revistas, jornais, etc)?

Cada veículo de comunicação tem seu perfil, público e linha editorial. Vale uma análise para identificar quais canais o seu público mais frequenta e dessa forma impactá-lo. A ideia central é sempre estar onde o seu público está. Portais, sites, revistas, jornais, são mídias que utilizamos para complementar nossas ativações de mídia. Indico sempre a procura de uma agência publicitária para que possa orientá-lo sobre a melhor forma de organizar seus investimentos de mídia.

Nas redes sociais têm sido frequentes as ‘lives’ de artistas, principalmente as de músicos. O senhor enxerga estes momentos como oportunidades para dar visibilidade às marcas?

Sim, mas deve-se avaliar se o seu produto ou serviço tem adequação com tema ou conteúdo daquela ‘live’. Vivemos a era do marketing de relacionamento. Não é somente patrocinar uma transmissão e acabou. As marcas precisam ter vida própria e posicionamento. As pessoas querem consumir as ideias, ações, sentimentos que as marcas transmitem. Temos que estar atentos sempre a isso.

Acha que é hora para fazer marketing social, ou seja, não vender exatamente, mas mostrar apoio à causas e/ou instituições?

Sim, desde que seja sincero e não apelativo. Vivemos um momento delicado e sensível. Responsabilidade social é um dever de toda e qualquer empresa, independentemente do tamanho. Esse é o momento de juntar forças e pensar no outro com responsabilidade.

Algumas campanhas têm trazido mensagens como “fortaleça sua marca agora e depois as pessoas lembrarão de sua empresa”. Isso é uma verdade?

Não vejo dessa forma. As marcas precisam cuidar da sua imagem sempre. Marcas sólidas se constroem com anos de transpiração e dedicação. No auge de uma crise sanitária e política como a que vivemos, devemos estar ainda mais alertas, mas é importante o empresário entender que hoje, com tanta informação, tecnologia e facilidade, as marcas que não se fizerem presentes na vida e na memória do seu público-alvo estão fadadas ao insucesso e correm o risco de desaparecerem definitivamente.

Que recomendações ou dicas de marketing o senhor pode dar a pequenos empreendedores, como pessoas que estão produzindo máscaras de tecido, por exemplo?

Ativem seu networking por meio do WhatsApp, Facebook e Instagram, promovam seu trabalho. Criem uma corrente de propagadores, incentivem o comércio local, sejam flexíveis e persistam perante os desafios. A única escolha que temos é fazer as coisas darem certo.

Que consequências o universo da publicidade deve enfrentar no pós-pandemia?

Vejo um grande crescimento de demanda para agências de publicidade e profissionais que são sérios e sabem o que estão fazendo. Vivemos a era do resultado. Quem entregar resultado irá crescer e terá um mercado gigante sedento por parceiros estratégicos capazes de somar inteligência de mercado, performance e inovação.

Quando tudo passar, muitas empresas terão de arcar com custos de empréstimos feitos agora, para suportar os impactos provocados pelo novo coronavírus. Talvez então se configure um desafio convencer os empresários a voltarem a investir em publicidade?

O empresário que não entender que a publicidade é a mola propulsora para os resultados estratégicos da sua empresa está definitivamente fora do jogo. Quem não investir dificilmente conseguirá sair da crise. Esse é momento de unir a inteligência jurídica, contábil, comercial e também o marketing a seu favor e criar um plano de ação robusto que leve a empresa a dar um salto de qualidade e eficiência. Infelizmente sabemos que muitas empresas estão sem caixa ou com o caixa comprometido, mas o mundo empresarial é implacável. Ou você faz o dever de casa, ou a concorrência te engole.

De modo geral, qual é a expectativa para quando o mundo for um lugar melhor?

O mundo melhora a partir do momento que as pessoas passam a ter mais consciência do seu papel na sociedade. Espero que o mundo possa refletir em tudo que estamos vivendo e tirar disso aprendizados que nos levem a ser mais humanos, sinceros, compreensíveis e justos. Vamos repensar nossos hábitos, posturas e nos adaptar a um novo estilo de vida e valores.


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