EDITORIAL

Rastreando os casos

Sobretudo na atual fase da pandemia, quando a flexibilização da quarentena pode erroneamente induzir a uma projeção de volta à normalidade, o relato feito pelo vereador Lisandro Frederico (Avante), de Suzano, abre espaço para se falar sobre a busca ativa de pacientes com os sintomas da Covid-19.

Sem testes em massa e nem um amplo rastreamento dos doentes infectados, o rápido diagnóstico é uma maneira de controlar o contágio da nova doença. E é nesse sentido que a dificuldade relatada por um morador daquela cidade ganha peso.

O caso foi divulgado em nossa edição de sábado último, na coluna Informação. Após ser atendido em dois serviços de Suzano, o paciente acabou se dirigindo ao Hospital Municipal de Braz Cubas, onde o teste positivo para a Covid-19 foi obtido.

Desde a semana passada, uma mudança no protocolo para o tratamento da Covid-19 em Mogi das Cruzes passou a recomendar que os pacientes com sintomas leves (febre, tosse seca, perda de olfato e dor de cabeça) devem procurar os serviços médicos.

A medida visa potencializar a descoberta de casos que podem evoluir dos sintomas leves para graves. É um acerto. Não apenas para blindar o sistema de saúde com o controle das internações hospitalares, mas para rastrear situações que exigirão o cumprimento da quarentena.

Nesse aspecto, casos de pacientes que permaneceram com o vírus durante mais de 21 dias servem para explicar o desafio no enfrentamento da Covid-19. Alguns pacientes testam positivo para a doença após o período de 14 dias, e são potenciais transmissores do coronavírus a outros interlocutores e familiares.

Colocar a boca no tronbone, insistir com os médicos e ir até outras unidades de saúde, na falta de quem dê ouvido ao paciente, são as alternativas. A liberação de mais atividades comerciais, leva muitas pessoas a acreditarem que a pandemia está controlada. Não está. Embora, números de algumas cidades comecem a regredir, a interiorização da doença é uma bomba relógio capaz de mudar o atual cenário.

De todo caso, Suzano precisa reforçar a orientação aos seus médicos. E também Mogi das Cruzes: o primeiro dos pacientes internados no Hospital de Campanha, o motorista Reginaldo do Carmo, viveu história semelhante à do suzanense: percorreu três unidades de saúde atpe ser atendido adequadamente, como este jornal publicou em maio passado.


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