SITUAÇÃO

Reabertura do comércio gera filas na região central de Mogi das Cruzes

CENA Volume de passageiros à espera de ônibus em ponto da avenida Fernando Pinheiro Franco era grande. (Fotos: Eisner Soares)

O primeiro dia do início da flexibilização da quarentena em Mogi das Cruzes foi marcado por aumento nas filas e no movimento na região central – porém sem tumultos e dentro do esperado para a data-, além de fluxo moderado no Mogi Shopping. Há semanas, já não era novidade encontrar ruas do município com trânsito intenso de veículos e pedestres dispostos a desafiar a pandemia do novo coronavírus, o que foi amplificado nesta sexta-feira (12). Apesar da reabertura, a recomendação das autoridades sanitárias é para que as pessoas evitem sair de casa sem necessidade.

Após cerca de três meses com as portas fechadas amargando prejuízos, lojistas relataram alívio e se disseram esperançosos em tentar recuperar parte das vendas perdidas com o Dia dos Namorados.

COTIDIANO No Mogi Shopping, corredores tinham movimento reduzido; na rua Dr. Paulo Frontin, clientes formaram fila na frente de lojas. (Fotos: Eisner Soares)

“Sei que a situação é grave, mas fico feliz. As coisas aqui estavam feias e eu jurava que seria demitida”, relata Juliana Gomes, funcionária de uma loja de moda infantil no centro, que retornou ao trabalho ontem. “Alguns lojistas não conseguem se manter com serviços online, então é importante reabrir, mas também precisamos de equilíbrio”, conta, ao citar que ampliou as medidas de prevenção no estabelecimento.

Ontem, a procura maior era vista em perfumarias, casas de chocolates e joalherias, onde as filas ocupavam boa parte das vias. Havia focos de aglomerações nas ruas e dezenas de pessoas sem máscaras, fatores que ampliam a disseminação do vírus. A reportagem de O Diário não encontrou equipe de fiscalização enquanto circulou pelo centro.

Mohamad Issa, diretor da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), avalia que o movimento não saiu do controle e deve ser maior nos próximos dias, já que muitas pessoas não se planejaram para a volta, aguardam pagamento do salário, ou não sabiam da flexibilização.

“Acredito que neste momento os mais conscientes são os comerciantes. A maioria está adotando os devidos protocolos, agora contamos com a cooperação da população”, cita ele.

Lojas de vestuário, até então fechadas, também apresentavam movimento considerável. Mesmo com as regras em vigor para que os estabelecimentos controlem a entrada de clientes, a reportagem encontrou uma loja lotada, com filas para o provador.

Pelo lado positivo, algumas lojas implementaram barreiras e asseguraram que poucos clientes entrassem simultaneamente, também exigindo máscaras.

A Prefeitura decidiu que o comércio de Mogi poderia funcionar já a partir desta sexta-feira, das 10 às 16 horas, e os estabelecimentos da área de serviços atenderão os clientes das 9 às 15 horas.

Segundo o Estado, a flexibilização da região deveria começar a valer a partir de segunda-feira, com abertura dos comércios durante apenas quatro horas por dia.

“Depois de tanto tempo fechado, o movimento ficou dentro do esperado, ainda mais para o Dia dos Namorados, que é uma data forte. E foi muito importante o rigor dos lojistas nas medidas de controle de acesso, de distanciamento e de proteção”, ressaltou o presidente do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), prefeito Adriano Leite.

“Para que possamos, de forma segura, continuar avançando de fase da quarentena e, principalmente, reduzir as estatísticas de casos e óbitos, é fundamental a colaboração de todos”, apela ele.

Mogi Shopping abre com movimento moderado

O movimento nas primeiras horas da reabertura do Mogi Shopping foi moderado e pouco lembrava a época pré-pandemia, quando o local costumava receber, em média, 20 mil pessoas diariamente. Devidamente equipados com máscaras – que são obrigatórias -, os consumidores do centro de compras cooperaram com os protocolos de prevenção adotados pela direção do estabelecimento e não causaram aglomerações. Situação bem diferente foi observada durante abertura de parte dos shoppings da capital paulista, que ficaram lotados e clientes chegavam a esbarrar uns nos outros em plena ascensão da pandemia.

Houve visitantes que decidiram chegar até com 30 minutos de antecedência. O horário da abertura definido pela Prefeitura, porém, foi respeitado. Após quase três meses fechados, o Mogi Shopping abriu as portas às 13 horas. Nesse momento, filas se formaram e seguranças precisaram insistir para que o público aumentasse o distanciamento.

Funcionários aferiam a temperatura de todos que entravam. Aqueles que apresentassem febre, um dos principais sintomas da Covid-19, eram orientados a voltar para casa.

Nas primeiras horas de funcionamento, os corredores do centro de compras não tiveram fluxo intenso, alguns pontos chegaram a ficar vazios, enquanto outros mais cheios, e diversos espaços permaneciam interditados. A praça de alimentação, que ganhou novos equipamentos para que as pessoas possam higienizar as mãos, continua fechada. O jeito é optar pelo delivery.

O movimento maior ficou por conta dos casais. Alguns namoravam juntos vitrines de joalherias, em busca de um presente para marcar o Dia dos Namorados.

Luiz Dias da Silva, de 71 anos, foi um dos que foram ao shopping logo nas primeiras horas e conta que sentiu alívio com o baixo movimento. Tentava resolver urgências na agência bancária dele, que fica dentro do local e até então estava fechada.

Alguns dos comerciantes preparavam os últimos detalhes e limpavam as lojas. “Aqui vamos deixar entrar quatro clientes por vez, o movimento, porém ainda está baixo”, contou a funcionaria de uma loja de vestuário.


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