Reagir é preciso

Moradores de bairros interligados pela Rodovia Mogi-Bertioga fazem um alerta sobre a alta velocidade desenvolvida por ônibus fretados e das linhas rodoviárias e municipais, e falam sobre algo que tem preocupado este jornal, há tempos: a falta de fiscalização de policiais rodoviários. Mais radares estão em funcionamento do acesso, mas apenas eles, não têm surtido o efeito necessário para orientar e punir aqueles condutores que desconsideram os riscos de uma estrada sinuosa, com trânsito constante fora dos horários de pico e dos finais de semana.
As características da Mogi-Bertioga mudaram muito, com o crescimento populacional e do mercado de trabalho das cidades do Litoral. A tragédia da Linha 12, entre Mogi das Cruzes e São Sebastião, chama a atenção para o grande número de universitários que diariamente utilizam o percurso, à noite. Quando não há lentidão, a aparente tranquilidade do tráfego esconde os riscos da descida sinuosa, no trecho da Serra do Mar, agravados pela neblina, em grande parte do ano.

São gravíssimas as percepções dos estudantes e dos moradores que relatam sobre os abusos de motoristas, como os flagrados duas semanas atrás por nossa reportagem. “A gente que está sempre na estrada percebe que muitos motoristas brincam no trânsito, disputam as ultrapassagens, além de andar sempre acima da velocidade. Melhorou um pouco com os radares”, conta o agricultor Eric Augusto Matias, do Distrito de Biritiba Ussu. Como assim, brincadeira numa estrada como essa?

A tragédia do quilômetro 84 da Rodovia Mogi-Bertioga será alvo de apurações e punições a responsáveis, se eles foram detectados. Tão urgente quanto isso será responder às preocupações dos estudantes, moradores e usuários: há motoristas irresponsáveis que se valem da falta de fiscalização rotineira na estrada, que possui meios de aferir as condições mecânicas e gerais dos veículos – ônibus, caminhões, vans, que costumam fazer o fretamento clandestino de passageiros, com pontos de saída conhecidos por todos – as proximidades do Terminal Rodoviário de Mogi das Cruzes.

As condições do fretamento as universidades mogianas e do relacionamento entre alunos e motoristas podem melhorar. Estamos diante de uma tragédia. Universidades e autoridades dos municípios envolvidos no pior acidente da Mogi-Bertioga devem respostas mais práticas à sociedade. Se ouvidos os estudantes e motoristas, podem surgir ações preventivas. Essa tragédia ocorre no seio da academia, um local com condições técnicas para contribuir com as demandas evidenciadas após a morte dos 16 estudantes e do motorista da empresa União do Litoral. Agora, um começo poderia ser a conscientização (e fiscalização) sobre o uso do cinto de segurança.


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