EDITORIAL

Receita certa

Cuidado e bem localizado, o Centro Cultural atrai e fideliza frequentadores

Está na diversificação da agenda de shows, palestras, oficinas, rodas de conversa sobre cinema, artes plásticas, música, dança, literatura, teatro e arte popular o principal feito do Centro Cultural de Mogi das Cruzes nos quatro anos de funcionamento, comemorados neste mês.

É hoje o endereço municipal com melhores condições para favorecer o acesso à arte e a outras expressões contemporâneas de maneira descentralizada, horizontal, democratica com a atenção ao novo e ao tradicional.

Pesa nesse bom momento fatores como a atualidade dos equipamentos e a existência de espaços menores e bem instalados para garantir o encontro entre o público com interesses e gostos diversificados e os artistas, grupos e produtores culturais.

O resultado é: 10 mil pessoas circulam por ali por mês. Parte desse sucesso está na qualidade e modernidade de estrutura (som, mobiliário, etc.) para a realização de mostras, palestras, shows e formação, além da presença de atrações talentosas, com protagonista tradicional e inovador.

Novidade entre seus pares, como o Casarão do Carmo e o Ciarte, o Centro Cultural caiu nas graças de quem faz e de quem desfruta arte e cultura. Cuidado e bem localizado, o lugar atrai e fideliza os frequentadores. Isso acontece mas com menor força e visibilidade na rede composta nos antigos espaços, como os museus e o o prédio da Banda Santa Cecília.

Há como corrigir as distorções. Investindo no básico – na conservação e modernização desse patrimônio. Sem isso, esse circuito continuará como pouco frequentado e caminhando para o mais perigoso dos cenários, que seria a deterioração dos prédios e das propostas de atuação que eles abraçam. Um exemplo desse processo pode ser o Ciarte que logo na fachada descuidada desestimula o frequentador.

Ainda sobre a retrospectiva do quarto aniversário do Centro Cultural é válido resgatar como o prédio onde ele está deixou o status de desocupado para se transformar em um polo de formação de público e exercício da arte.

Tudo isso se deu a partir de uma iniciativa popular, um traço que fortalece essa trajetória. A ideia partiu do arquiteto e professor universitário Paulo Sérgio Pinhal ao ver o imóvel sem uso na Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros.

O prédio ainda não pertence à municipalidade: está alugado, com o compromisso de venda para a Prefeitura, com o abatimento do aluguel já pago. Algo, aliás, que merece ser acompanhado no futuro próximo.

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