EDITORIAL

Rede contra o bullying

Tomara que o encontro realizado pela Câmara Municipal sobre o bullying e o ciberbullying seja o primeiro para a construção mesmo de uma rede de entidades e serviços específicos para combater a cultura de agressões físicas, verbais e emocionais entre crianças e jovens.

Diferente do passado, a sistematização desse tipo de violência dentro da escola pública e privada, da faculdade ou outros ambientes sociais se tornou um problema mundial.

Na manhã de quarta-feira, em Mogi, representantes de organizaçoes sociais e lideranças experientes nesse assunto puderam divulgar experiências e realidades sobre o assunto de interessse social que ganha contornos mais graves, evidentemente, diante de crimes como o praticado há mais de um mês, na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, mas que violenta crianças e jovens todos os dias, independente da classe social em que elas estejam inseridas.

Soube-se de resultados positivos obtidos por algumas escolas municipais. Nada que esteja universabilizado. E aqui reside o principal problema desse assunto. O Brasil enfrenta um aumento desse tipo de violência e também índices de suicídio de jovens vítimas de assédios e ameaças físicas e psicológicas por não atenderam ao que o grupo considera como “normal”.

Como todo grande problema, o bullying começa com atitudes pequenas – a exposição a situações vexatórias, empurrões, pontapés e a ridicularização a partir dos apelidos, com o tempo, observa-se quadros mais sérios, como a exclusão de atividades pedagógicas (despercebida pelos adultos),a captação e difusão de imagens das vitimas nas redes sociais, etc.

Um modelo de sucesso no combate à prática nasceu na Finlândia – que mesmo sendo norte luta contra a situação. Lá, o conceito de atenção ào problema difere-se do que tem sido feito na maioria esmagadora das vezes, quando o olhar vela apenas vítima e não pelo agressor – em geral, um aluno com problemas de comportamento e baixo desempenho escolar. Além de acolher a vítima e de entender o agressor, o trabalho de conscientização finlandês trata dos observadores, os outros alunos que testemunham calados as agressões.

Além da participação da família, outro fator de preocupação é prestar rapidamente o atendimento psicológico e psiquiátrico a quem precisa – vítima, agressor ou até o professor. Algo citado no encontro na Câmara.

Comparar o Brasil com a Finlândia chega a ser covardia. Mas silenciar diante desse mal é cultivar ainda mais a cultura da violência e comprometer as futuras gerações – são os estudantes marcados por tragédias como a de Suzano ou tolhidos da liberdade dentro da sala de aula que irão cuidar do amanhã de todos nós.