EDUCAÇÃO

Rede municipal de ensino de Mogi das Cruzes ainda estuda o retorno das aulas presenciais

AULAS Secretaria de Educação de Mogi ainda vai planejar o recebimento dos estudantes. (Foto: arquivo)

O decreto de retomada das aulas presenciais deverá ser divulgado pelo Governo do Estado de São Paulo somente no dia 2 de julho, mesmo com as medidas já apresentadas pelo governador João Doria (PSDB) na última quarta-feira. Ainda assim, a Secretaria Municipal de Educação vai esperar pelas determinações para que possa programar como será esse retorno. Dentro do que foi anunciado, o ensino voltaria gradativamente a partir do dia 8 de setembro.

“É isso que vamos ter de analisar, porque um plano sem o decreto não tem força alguma. A ideia, claro, é seguir o protocolo de higiene, mantendo a distância entre as crianças, mas ainda não temos uma programação preparada. Nós esperávamos por uma retomada, mas para antes, não apenas para setembro. Acredito que na próxima semana é que podermos dizer como vamos trabalhar”, afirma a chefe da pasta, Juliana Guedes.

Apesar de ter divulgado o calendário para os próximos meses, não foram definidas regras para o ensino infantil. Durante a apresentação do plano, o secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, afirmou que deverá ser mantido o distanciamento de 1,5 metro entre os alunos, o que não seria possível entre bebês e cuidados. Desta forma, as medidas ficariam as cargo de cada município.

Em Mogi, as creches – assim como a Pré-Escola e parte do Ensino Fundamental I – são ofertadas pelo ensino municipal. Para que as crianças estejam em segurança, Juliana reforça que deverão haver ainda reuniões com a Secretaria Municipal de Saúde para que essas diretrizes possam ser definidas, o que deve ser feito com cautela e de maneira alinhada entre as pastas.

“As melhores respostas vamos ter depois de muita conversa e com a divulgação do decreto. Ainda é muito precoce para uma definição e muito precoce muita coisa ainda pode mudar. Nosso atendimento sempre é de fazer o melhor para população. Queremos passar aos alunos e aos familiares aquilo que for o melhor para eles”, conclui a secretária.

Conselheira e coordenadora da subsede mogiana do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Inês Paz, acredita que faltou diálogo para que essas medidas fossem definidas. Ela ressalta que o Governo do Estado deveria ter se preocupado com a opinião de diversos grupos, como o Sindicato, mas também a sociedade civil organizada, os conselhos de escola e a própria comunidade.

“Não dá para se pensar nessas medidas da maneira que foram colocadas, porque estamos em um momento nessa pandemia em que a flexibilização tem gerado cada vez um número maior de casos e mortes. Nesse momento, os poderes públicos precisam garantir que as pessoas fiquem em casa e fornecer a sustentabilidade para que isso seja possível. A maior preocupação deve ser com a diminuição da contaminação”, reforça.

Inês defende ainda que programar o retorno das aulas presenciais é realmente importante, mas que ele não pode acontecer como se estivesse dentro de uma “normalidade”, além de ser preciso avaliar se existirão condições para sanar as dificuldades educacionais.

Estado definirá regras para as escolas

Segundo o cronograma que foi divulgado pelo Governo do Estado, as aulas presenciais na rede pública e particular deverão voltar a acontecer no dia 8 de setembro. Na primeira de três etapas, as salas terão ocupação máxima de 35%, com revezamento de estudantes durante a semana e sob rígidos protocolos de segurança definidos no Plano São Paulo de indicadores de saúde.

O cronograma de reabertura das escolas está diretamente condicionado às fases de flexibilização do Plano São Paulo. A retomada das aulas presenciais só vai acontecer se todas as regiões do estado permanecerem na etapa amarela – a terceira menos restritiva segundo critérios de capacidade hospitalar e progressão da pandemia – por 28 dias consecutivos.

Na segunda etapa, a previsão é que até 70% dos alunos poderão voltar às escolas. A meta será cumprida se ao menos 10 dos 17 Departamentos Regionais de Saúde do Estado permanecerem por 14 dias consecutivos na fase verde – quarta etapa com restrições mais brandas – do Plano São Paulo.

Para chegar à terceira etapa, que vai englobar 100% dos alunos, será necessário que ao menos 13 dos 17 Departamentos Regionais de Saúde estejam por outros 14 dias na fase verde. Se uma região regredir para as fases mais restritivas – vermelha e laranja 1 e 2, consideradas de alerta máximo e controle – a reabertura das escolas será suspensa em todas as cidades daquela área.

Enquanto isso, o plano deverá seguir com a busca ativa dos estudantes; Fornecimento de máscaras, EPIs, termômetros e demais insumos; Formação dos profissionais da educação; Avaliação Diagnóstica e o desenvolvimento do Programa Recuperação da Aprendizagem e do “4º ano” do Ensino Médio, optativo para os estudantes concluintes de 2020 que queiram se preparar mais um ano para o ingresso no ensino superior.


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