EDITORIAL

Redenção de Arujá

O ritmo atual das obras de duplicação da Mogi-Dutra, no trecho que vai da Rodovia Ayrton Senna até Arujá, nos dá motivos para crer que o cronograma, anunciado quando do início da empreitada, será cumprido. Ao custo de R$ 121,9 milhões, a previsão é entregar tudo pronto em janeiro de 2020.

A obra será como uma redenção para Arujá. Ela chega quase 50 anos depois que, tal como os antigos bandeirantes, a Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes tomou a si a responsabilidade de nos dar uma ligação com a Via Dutra.

Única das cidades médias antes interligadas pela Estrada Velha São Paulo-Rio – que Washington Luís entregou em 1928 –, sem acesso à nova via, Mogi das Cruzes permaneceu ao largo do rodoviarismo iniciado pela Via Dutra (1951), ampliado no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e jamais relaxado por todos que o seguiram. Daí, a falência do sistema ferroviário nacional.

A necessidade da duplicação, tantas vezes adiada, por questões técnico financeiras ou burocráticas, pode ser comprovada pelas estatísticas que o próprio DER tem. Esse pedaço da Mogi-Dutra figura dentre os que registram tráfego mais intenso: durante o ano passado, cerca de 15.200 veículos circularam por esses 9,2 quilômetros todos os dias. Abaixo apenas dos 50 mil/dia que passam pelo trecho entre a Ayrton Senna e a zona urbana de Mogi das Cruzes. E o dobro dos 7,8 mil que vão de Mogi a Guararema.

A primeira vez que se falou na duplicação do trecho final foi em 2014. Desde então, o projeto sofreu vários percalços. Inicialmente, pela falta de recursos, questão superada quando da obtenção de financiamento internacional. Em abril de 2017, quando os envelopes deveriam ter sido abertos, embargos interpostos por concorrentes que se sentiram prejudicados levaram a novo adiamento. Pelo que disse o superintendente do DER ao então deputado Luiz Carlos Gondim, não haveria mais recursos capazes de retardar novamente esta fase do processo. Não houve recursos, mas os interesses políticos saíram da penumbra: candidato à reeleição, Márcio França anunciou, peito inchado, o início dos trabalhos.

Que só vieram, na realidade, já com João Doria governador.