RODRIGO SUSSUMU NANIWA

Redes sociais fazem toda a diferença

Rodrigo Sussumu Naniwa (Foto: Eisner Soares)
Rodrigo Sussumu Naniwa (Foto: Eisner Soares)

Rodrigo Sussumu Naniwa até que tentou trabalhar com agronegócio, o ramo da família, mas foi com marketing e publicidade que fez carreira. Com três graduações iniciadas e nenhuma concluída, o mogiano passou uma temporada no Japão, de onde retornou para fundar uma empresa de manutenção de computadores, a Ahead Solutions. Aos poucos, o ramo de atividade dele foi se voltando para a área de tecnologia da informação até se tornar o que é hoje, com marketing digital, criação de sites e aplicativos mobile e desenvolvimento de sistemas principalmente na área de limpeza urbana. Por estar diretamente envolvido com o mercado online, ele comenta, nesta entrevista, o papel da tecnologia e também das mídias offline na comunicação, bem como o futuro desta área, defendendo a ideia de que é preciso anunciar no máximo de lugares possível.

Você acredita que assim como a internet mudou o mundo, as tecnologias de interação social online também estão fazendo isso?

Sim. Com certeza as mídias sociais, sistemas e outras tecnologias facilitaram a vida de todo mundo. Mais do que isso, ajudaram na sustentabilidade do planeta, contribuindo para a redução de papéis impressos. Porém, o que acontece é que ficamos reféns da tecnologia, de um computador e de internet para trabalhar. Como fazer a cobrança de um cliente ou então outros procedimentos caso caia a energia? Numa situação dessas, como emitir notas fiscais eletrônicas ou então cupons fiscais? Outra marca da mudança é mercado de livros, que sofre com o surgimento dos eBooks, que oferecem preços mais baixos que os tradicionais. Exemplo disso é a rede Saraiva, que fechou recentemente uma loja no Mogi Shopping e também a livraria Cultura, que enfrenta grande crise.

Como você vê o marketing digital?

Vejo que este é o principal mercado hoje, tempo em que inevitavelmente quem quiser fazer propaganda vai ter que estar no Facebook ou no Instagram. Nosso papel é perguntar qual o foco, o objetivo, a ideia, o que os clientes querem fazer. E para atingir as metas produzimos fotos, criamos postagens, desenvolvemos sites, apps, materiais de papelaria e colocamos nas mídias para divulgar, com campanhas e impulsionamentos que usam também o Google Ads.

E o universo offline, que inclui a televisão e os jornais e revistas impressos?

Hoje a propaganda offline está mais devagar. Mas o jornal impresso, por exemplo, ainda atende bem alguns segmentos, como automóveis e supermercados, além de trabalhar bem o marketing institucional, como no aniversário das cidades, com os cadernos especiais. A principal diferença é que no online há uma vantagem: é possível enxergar e medir o retorno a partir do número de curtidas, cliques, comentários e outras interações, e é possível também mapear o acesso, saber de onde as pessoas estão consumindo aquela peça e direcionar os anúncios para uma determinada localidade.

Existe algum segmento que ainda não foi para o ambiente online?

Não, acho que hoje todo mundo quer estar dentro do online. Fui certa vez numa palestra do Robinson Shiba, do China in Box, que defendia que todos os restaurantes devem estar no iFood, por exemplo, mesmo que a taxa do app seja alta, porque todos os concorrentes estão lá. E ao analisar as pizzarias de Mogi, percebemos que todas estão de fato lá. Ou seja, não há como fugir da tecnologia. É preciso aparecer, então até as indústrias de matéria-prima estão no Facebook, fazendo principalmente um trabalho institucional.

Qual o custo de um trabalho de marketing online?

É difícil mensurar. O primeiro passo é conversar com o cliente e fazer ele entender como funcionam essas ferramentas. Depois é preciso entender o orçamento da empresa para definir a quantidade de posts por dia. E também é preciso saber o budget para impulsionamentos, pois hoje no Facebook a postagem orgânica mal funciona e quase não tem alcance, então é preciso colocar dinheiro, mesmo que pouco.

Qual é a vantagem de trabalhar no meio digital?

A possibilidade de desenvolver tudo personalizado, de acordo com a necessidade do cliente. Em relação aos sistemas, existe uma facilidade em adaptá-los para o que eu preciso, colocando um campo ou alguma tela a mais. Em outras palavras, no digital não ficamos “engessados”.

Como você vê o futuro da comunicação?

Acho que com os recentes avanços em inteligência artificial e robótica, muita coisa vai acontecer ainda, mas é difícil prever o quê exatamente. Sei que a comunicação e a forma das empresas falarem com o público vai mudar bastante. Na verdade, já estamos vivendo a mudança, e as pessoas estão cada vez pesquisando mais e estão mais curiosas sobre as tecnologias.

Você também desenvolve aplicativos mobile, e hoje em dia a maioria dos serviços possuem apps. Acredita que eles façam parte desse futuro?

Em muitos segmentos sim. Hoje muita gente não quer saber de ter computador, ou então não usam os que tem. O celular substituiu os desktops e faz muitas coisas, como o banco, facilitado pelos aplicativos que tem acesso por meio de digitais, e utilizam câmeras para ler códigos de barras. Então ter um app é importante, assim como um site, que é necessário para estar no cartão de visita e para aparecer nas buscas do Google.

Quem são seus clientes?

O foco da Ahead Solutions está 70% no desenvolvimento de sistemas e 30% nos aplicativos, sites e marketing digital. Nossos clientes são, em sua maioria, empresas de São Paulo, mas temos intenção de trazer os sistemas para cá. Temos esbarrado num pensamento mais fechado, pois os mogianos costumam enxergar coisas assim mais como despesas do que investimentos, utilizando somente ferramentas de gestão não personalizadas.

Falando em desenvolvimento de sistemas, quanto tempo um software personalizado pode demorar para ficar pronto?

Isso vai depender muito do projeto. Precisamos analisar e aí será possível dizer se vai demorar três meses, seis meses ou mais. Depende do porte e da complexidade de cada caso, e os valores mudam muito também. Não dá para mensurar o custo sem essa verificação, mas o cliente pode pagar tanto pelo projeto fechado ou como uma mensalidade, que já inclui orçamento para melhorias ao longo do caminho.

Como funciona seu sistema voltado à limpeza urbana?

Os sistemas que desenvolvemos são basicamente para criar soluções para as empresas, para fazer com que elas economizem tempo e dinheiro. Por exemplo, em nosso sistema SAC Limpeza atendemos empresas que trabalham com limpeza urbana em todo o Estado. Se há lixo na rua um morador ou fiscal pode fazer uma denúncia à prefeitura, que vai registrar o caso em nossa plataforma, e toda a comunicação para o caso será feita por lá. Outras possibilidades são a gestão de frotas, a exemplo dos 600 caminhões que temos hoje cadastrados. Além disso, há uma parte para gestão da empresa, com campos jurídicos, de planejamento de orçamento… Como é personalizável não conseguimos ver limitações e obstáculos, então dá para fazer até mesmo estoque e controle de prazo de vencimento de materiais, caso seja necessário.

Como é fazer um sistema tão específico como esse?

Sempre precisamos da parceria com os clientes, que oferecem dicas e soluções para fazer as coisas acontecerem. Como fazemos sistemas com funções jurídicas e temas bem específicos, pesquisamos muito sobre o tema e contamos com o suporte e consultoria das próprias empresas que utilizarão o serviço para fornecer as informações necessárias para o desenvolvimento.

Sua equipe precisa monitorar o sistema para que ele funcione?

Incluindo a mim, temos hoje sete pessoas na equipe, mas não há necessidade de vigiar o sistema em tempo integral, já que ele anda praticamente sozinho, como uma inteligência artificial, quase autônomo. Precisamos, claro, fazer manutenções, atualizar as tecnologias e manter os servidores saudáveis, além de criar vários alertas para verificar se o usuário final está preenchendo tudo de forma correta. Para que tudo saia como planejado fazemos treinamentos ensinando usar os recursos disponíveis, e agilizamos o atendimento à distância por meio de grupos de Telegram com os clientes para atender em tempo real.