AVENTURA

Relevo de Mogi das Cruzes favorece a prática de atividades radicais

NA SERRA Parque das Neblinas é um dos locais mais atrativos para prática de vários esportes. (Foto: arquivo)

Quilômetros de trilhas, diversos parques e reservas naturais, além de rios, montanhas, picos e cachoeiras de Mogi das Cruzes compõem um cenário ideal para os entusiastas dos esportes de aventura. Do motocross ao rapel, as riquezas ambientais da cidade proporcionam a prática de diversas atividades e despertam o interesse de moradores e turistas que buscam uma dose extra de adrenalina, alcançando desde atletas amadores à equipes profissionais de outros municípios.

A estrutura do município também atrai a atenção dos organizadores de eventos desse segmento esportivo. Mogi recebe circuitos de diversas competições, figurando inclusive em etapas de campeonatos nacionais. Porém, o número de provas desse nicho sediadas na cidade diminuiu nos últimos anos, conforme aponta Felipe Silva, um dos fundadores do Kakinalama – clube mogiano de 4×4.

Ele avalia que a estrutura para receber esses eventos “ainda carece de atenção e investimentos”. Expõe que as competições radicais se mantêm graças a esforços dos próprios clubes mogianos. Mogi oferece opções para ciclistas, corredores, praticantes de esportes de voo livre, rapel e até mountain bike. Há também os famosos ralis e eventos 4×4. O motocross é outra modalidade que se destaca. Ao longo do ano, diversos eventos dessa prática esportiva são realizados em espaços da cidade, como a fazenda da ASW Off Road Park, localizada no Botujuru.

Amantes do voo livre também marcam presença por Mogi. O Pico do Urubu sedia festivais e é procurado por entusiastas de outras cidades. O espaço é ideal para quem busca testar seus limites e aproveitar momentos na natureza. Nos próximos anos, o local deverá receber amplo estacionamento, centro de apoio ao turista e deck, em um projeto já iniciado e que tem como objetivo melhorar a infraestrutura de um dos principais pontos mais visitados da cidade.

Trilhas da cidade favorecem o off-road

NA LAMA Grupo Kakinalama participa de competições fora de estrada disputadas no município. (Foto: reprodução – Kakinalama)

No turismo fora-de-estrada, o nome já diz tudo: é preciso abandonar o conforto das rodovias asfaltadas para descobrir o que muita gente nem sabe que existe. Grupos mogianos, como o Kakinalama, organizam encontros da modalidade nas trilhas da cidade, abundantes em regiões como a Volta Fria e a Serra do Itapeti.

A cidade também recebe alguns eventos da prática. Considerado um dos mais importantes eventos de rali de regularidade do Brasil, o Campeonato Paulista OffRoad aconteceu pela primeira vez em Mogi no mês passado. O evento tem mais de 15 anos de história e reuniu pilotos e navegadores de seis estados do país.

“Porém, esses eventos estão sumindo aos poucos, hoje o 4×4 sobrevive na cidade graças aos próprios clubes, já que o apoio da Prefeitura é basicamente zero”, aponta Felipe Silva, um dos lideres do Kakinalama.

“Muitas pessoas não sabem, mas Mogi tem trilhas excelentes em suas áreas de serra, que acabam sendo desperdiçadas”, argumenta Silva. “Nosso clube busca manter a chama do off-road viva na cidade, essa é uma aventura para aqueles que tiverem coragem e queiram entrar em real contato com a natureza”, completa.

O clube mogiano surgiu quando um grupo de amigos mogianos decidiu se unir e começar a realizar atividades semanais com os aficionados por jipes. A equipe organiza eventos anuais, como o Passeio de Inverno, já tradicional na cidade. Na sua última edição, o encontro reuniu 400 pessoas e 150 carros, em um dia descontraído serra adentro, além de arrecadar doações para instituições eneficentes. O nome da equipe vem da ideia de “jogar o caqui na lama”, já que Mogi é o maior produtor dessa fruta.

“A cidade tem paisagens lindas e muitas riquezas naturais, infelizmente todo o potencial não é utilizado e muitas pessoas acabam optando por praticas essas atividades de aventuras em outras localidades, como Guararema”, aponta Silva, ao argumentar que Mogi deixa de se beneficiar da prática.

No Pico, paraglider

NO CÉU Praticante de paraglider acerta os detalhes finais para saltar do Pico do Urubu, em Mogi. (Foto: arquivo)

Com 1.160 metros de altura, o Pico do Urubu é o ponto mais alto de Mogi das Cruzes. Atividades de voo livre acontecem no local durante todo o ano e atraem grande
número de pessoas, principalmente aos finais de semana. A prática vem colorindo os céus de Mogi das Cruzes há quase 30 anos.

Amantes de esportes radicais, os membros do Mogi Clube de Voo Livre frenquentam o trecho remanescente da Mata Atlântica assiduamente e também fazem voos duplos com interessados em conhecer o esporte. A pessoa interessada na prática deve deve procurar um piloto autorizado pela Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL).

Um dos eventos esportivos mais tradicionais da cidade acontece no local: o Festival de Voo Livre de Mogi das Cruzes. Realizado pelo Mogi Clube de Voo Livre em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo. O evento reúne amantes da prática e é um encontro cultural, com música. A entrada é gratuita e é livre para todos os públicos e tem média de público de 5 mil pessoas.

O espaço também atrai praticantes de mountain bike motanhistas e amantes de trilhas, que apenas querem desfrutar de uma vista privilegiada de 360º da cidade, também visitam o local.

O local já contou com uma rampa para saltos de asa delta, que foi removida após ação do Ministério Público, que alegou insegurança e falta de fiscalização no local. Além disso, esse trecho remanescente da Mata Atlântica já sediou competições inusitadas, como balonismo, que no passado, coloriu a Serra do Itapeti.

Mesmo com a estrutura ainda precária, como a falta de banheiros, esse ponto da serra tem ganhado visibilidade e despertado a atenção de milhares de pessoas. O aumento do número de visitantes, porém, trouxe alguns problemas, como a sujeira na área de preservação ambiental. O cenário deve mudar com os novos investimentos no local, que deverá receber amplo estacionamento, centro de apoio ao turista e deck. O valor dos serviços está estimado em R$ 444 mil, sendo R$ 438.750,00 a serem pagos pelo Governo Federal.

Motocross tem até um campeão

NA PISTA Fazenda ASW Off=Road, no Botujuru, tem estrutura para sedir competições de motocross. (Foto: reprodução – MotoX)

O motocross é uma modalidade desportiva de motovelocidade praticada sobre motocicletas de estilo off-road. A prática se destaca na cidade, e tem campeonatos e pistas próprias.

Mogi das Cruzes é a terra natal de Leonardo Kauffmann, que neste ano, conquistou o Campeonato Brasileiro de Enduro Fim. São nas trilhas da Serra do Itapeti que o mogiano e sua equipe treinam durante a semana.

“Sou privilegiado por morar ao lado da serra, mas muitas pessoas não conseguem acessar a área pela falta de estrutura ou burocracias da Prefeitura”, aponta o
esportista.

“As serras são lindas e oferecem percursos de bom nível, porém sinto que nada disso é devidamente explorado”, comenta ele. “Por muitas vezes acabamos nos deslocando para Guararema para praticar o esporte”.

Mogi das Cruzes já recebeu diversos eventos como Copa São Paulo de Motocross, além de já ter contado com campeonatos municipais, porém o número de competições desse seguimento diminuiu, segundo Leonardo.

O enduro, modalidade praticada por ele, tem provas disputadas no meio da mata com obstáculos naturais, em percursos de cerca de 150 km. Vence o piloto que completar as trilhas com o melhor tempo. Os participantes são divididos por categorias, de acordo com o nível técnico. “A modalidade é praticamente inexistente na cidade”, lamenta.

Outro local frequentado por Leo é a A Fazenda ASW Off Road Park, um centro de treinamento para esportes off-road. Aqui temos pista de motocross, veloterra, cross country, o espaço recebe eventos de motocross e ciclismo.

A Fazenda ASW Off Road Park dispõe de uma estrutura completa para a realização da competição, com box fechado, praça de alimentação, banheiros, área para camping, resgate especializado e equipe de cronometragem. Ela está localizada na Avenida Francisco Rodrigues Filho, 8.460, no Botujuru, em Mogi das Cruzes.


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