EDITORIAL

Renasce Tietê

A decisão do MP de defender o Tietê começa a dar resultados práticos

Uma sentença judicial obtida neste ano pelo Ministério Público de São Paulo obriga o Governo do Estado e a Prefeitura a despoluirem o trecho do Tietê em Mogi das Cruzes. Um cronograma sobre as ações para reabilitar o rio está sendo elaborado por representantes desses três atores com o intuito de acelerar os planos para tratar o esgoto doméstico.

Esse processo acompanhado por este jornal desde meados deste ano tira um pouco do brilho do anúncio feito pelo Governo do Estado sobre a retomada do projeto para a contenção de enchentes e despoluição, mas a notícia não deixa de ser um afago na luta pela vida desse recurso hídrico e da fauna e flora que dependem dele.

Duas consultas populares convocadas pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) apresentam a Mogi das Cruzes e Salesópolis o Renasce Tietê, nome que rebatiza o plano de se construir um parque linear com 75 quilômetros de extensão diferenciado por criar um corredor de proteção ambiental entre a Penha, em São Paulo, e Salesópólis.

Uma das promessa é a implantação do Parque Salesópolis, com a criação de vias que irão conectar o espaço à cidade onde nascem as primeiras nascentes do principal rio paulista. Especificamente para Mogi das Cruzes estão intervenções muito cobradas: a despoluição das águas pluviais que ajudam a contaminar o rio, uma rede de seções para o controle quantitativo e qualitativo das águas, desassoreamento para a remoção dos resíduos sólidos entre a Barragem da Penha e Salesópolis, e o restauro florestal.

A retomada da revitalização está prevista para o primeiro semestre do ano que vem. A se conferir, claro.

Nos últimos anos, a Prefeitura de Mogi conseguiu ampliar os índices de despoluição. Porém, a situação é tão drástica que as medições sobre os níveis de oxigênio no Rio Tietê não trazem resultados alentadores. A qualidade da água segue ruim.

Marcado pela morosidade, o programa Várzeas do Tietê teve início em 2011. O Alto Tietê sonha com a melhoria das condições do rio hoje rejeitado pela população que o conhece. Quem em sã consciência pisa em suas águas? Quem consegue respirar perto dele?

Dos 75 quilômetros do parque, 25 quilômetros estão prontos até São Miguel Paulist ao custo de US$ 200,1 milhões.

A decisão do MP de defender o Tietê e cobrar o que é dever do Governo do Estado e da Prefeitura começa a dar resultados mais práticos.

À sociedade civil, agora, caberá fiscalizar e pressionar pelo fim do crime ambiental praticado pelo poder público todos os dias contra o Tietê, um rio com triste sina porque morre pouco depois de nascer.

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