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Renault Duster herda motor e câmbio do Nissan Kicks

O Duster já tem um design “cansado”, que mostra o peso da idade, mas deve ganhar nova geração no final do ano (Foto Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Lançado no final de 2011, originário da marca romena Dacia, o Renault Duster aguarda uma nova geração, já lançada na Europa e prevista para o Brasil para o final deste ano. Enquanto isso, para melhorar sua relação custo-benefício, que sempre foi um dos pontos fortes do modelo, incorporou há seis meses o trem de força do Nissan Kicks e já adotado também no Renault Captur, com motor 1.6 SCE de 16 válvulas e câmbio CVT, que chegou para atender à crescente demanda por modelos automáticos, que gradativamente ganham espaço em todos os segmentos no mercado brasileiro. O Renault Duster 1.6 16V SCe X-Tronic CVT Dynamique é oferecido pelo preço inicial de R$ 86.990 – R$ 6 mil a mais do que a mesma versão com câmbio manual.
Até então, quem queria um Duster automático precisava se contentar com o antigo câmbio de quatro marchas, que só equipa as versões com motor 2.0 – o 1.6 só oferecia o manual. Junto com o CVT, veio o motor 1.6 16V da família SCe, de origem Nissan, que tem bloco de alumínio e duplo comando variável na admissão e é mais moderno e mais leve que o 1.6 16V da Renault anteriormente utilizado. Agora são 118/120 cavalos de potência com gasolina/etanol – o motor antigo ficava em 110/115 cavalos. O torque também subiu um pouco e passou de 15,9 kgfm para 16,2 kgfm a 4.000 rpm.
Por fora, o design não nega a idade do Duster. O estilo quadradão já está bem datado, mas transmite uma rusticidade que tem lá seus admiradores. Por dentro, o Duster continua tendo como um dos principais destaques o espaço interno, com área para cinco adultos e um porta-malas de 475 litros, um dos maiores da categoria.

Versão 1.6 do Duster recebeu o motor e o câmbio CVT que equipam o Nissan Kicks (Foto Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Em termos de “decoração”, a versão Dynamique avaliada traz forração de couro nos bancos, com detalhes em marrom que aparecem também no painel. No console central, o revestimento é em black piano. O sistema multimídia Media Nav Evolution com tela sensível ao toque de sete polegadas conta com navegação GPS, conexão USB e auxiliar. Comando de áudio e celular na coluna de direção são de série na versão Dynamique.
Além da estética datada, a ergonomia do Duster entrega a idade do projeto e não é das melhores. Falta ajuste de profundidade na coluna de direção, por exemplo. Encontrar a melhor posição de dirigir leva tempo. A central multimídia fica em posição baixa, longe do alcance dos olhos e das mãos. Os botões do piloto automático e do modo Eco ficam à frente do porta-copos, o que dificulta a visualização dos comandos. E o puxador das portas fica no caminho do acionamento dos vidros elétricos.

O Renault Duster tem aspecto robusto, como nos tradicionais utilitários esportivos (Foto Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

O estepe é posicionado do lado de fora do carro, em um local trabalhoso para a troca. Em compensação, o generoso porta-malas de 475 litros conta com tampa sustentada por mola a gás. O modelo traz de série controles de estabilidade e tração, banco do motorista com regulagem de altura, vidros elétricos nas quatro portas, coluna de direção com regulagem de altura e travas elétricas. Na versão Dynamique, acrescenta central multimídia, piloto automático, câmera de ré e volante revestido em couro.
Com o novo conjunto mecânico “herdado” do Nissan Kicks, o Duster oferece acelerações progressivas e responde rápido ao pedal da direita, porém longe de entregar esportividade, algo que nem combinaria com a proposta de um câmbio CVT, que normalmente prioriza conforto e consumo. A opção de modo Eco deve até poupar combustível, mas torna o carro mais lento nas retomadas. No uso cotidiano, o Duster se revela um SUV agradável de dirigir.
Sempre que o motorista resolve pisar fundo no pedal do acelerador, as seis marchas simuladas da transmissão Xtronic CVT atuam com agilidade e ajudam o SUV a entregar retomadas ligeiras. O conforto de rodagem oferecido pelo câmbio CVT em rodovia impressiona. A 120 km/h, o motor me mantém em 2.750 giros. Além disso, surpreende o baixo nível de ruído a bordo. O isolamento acústico absorve com eficiência a maior parte dos ruídos provenientes do motor e da rolagem dos pneus.
A direção com assistência eletro-hidráulica tem peso correto em velocidade de cruzeiro, mas poderia ser mais leve para as manobras de estacionamento. Em termos suspensivos, o Duster permanece com um ajuste macio e confortável, contudo transmite percepção de consistência e robustez quando trafega sobre pisos irregulares. No geral, a suspensão entrega um bom nível de estabilidade e absorve de forma correta os buracos no piso, sem sacolejar demais os ocupantes.

No interior, o Duster 1.6 Dynamique traz interior com bancos em couro bicolor e central multimídia (Foto Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Em termos de consumo, infelizmente as visitas aos postos de combustível acabam sendo mais frequentes que o desejável. Nos testes do Inmetro, o Duster com CVT obteve médias de 7,1 km/l na cidade e 7,9 km/l na estrada com etanol e de 10,3 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada com gasolina, que lhe valeram um conceito “D” na categoria e “C” na comparação absoluta geral. O resultado é pior que o obtido pelo Kicks, que com o mesmo “powetrain” obteve médias de consumo de 7,7 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada com etanol e 11,4 km/ na cidade e 13,7 km/l na estrada com gasolina, com conceitos “C” na categoria e “B” na comparação absoluta geral. Contudo, o consumo da versão 1.6 16V SCe X-Tronic CVT ficou menor que o da 2.0 do Duster com câmbio automático de quatro velocidades, que obteve conceitos “E” na categoria e “C” na comparação absoluta geral. (Luiz Humberto Pereira/AutoMotrix)

Ficha técnica
Renault Duster 1.6 16V SCe X-Tronic CVT Dynamique

Motor: quatro cilindros em linha, 1.597 cm³ de cilindrada, 16 válvulas, de 120 cavalos (álcool) e 118 cavalos (gasolina) de potências máximas a 5.500 rpm e torque máximo de 16,2 kgfm (a/g) a 4.000 rpm
Transmissão: câmbio CVT.
Direção: tipo pinhão e cremalheira com assistência eletro-hidráulica
Freios: disco ventilado na dianteira e tambor na traseira com ABS, ESP (controle de estabilidade) e HSA (assistente de partida em rampa)
Suspensão: dianteira, independente, do tipo McPherson; traseira, eixo de torção e barra estabilizadora
Rodas/pneus: 6×16” de liga leve /215/65R16
Peso: 1.240 kg
Carga útil (passageiros + bagagem): 500 kg
Dimensões: comprimento, 4,32 metros; largura, 1,81 metro; altura, 1,62 metro; distância entre-eixos, 2,67 metros
Altura do solo: 21 centímetros/ângulos de ataque/saída, 30/34,5
Porta-malas: 475 litros
Preço: R$ 86.990