IMPRESSÕES

Renault Stepway cumpre função “aventureira”

Stepway perde o nome Sandero e por ter câmbio CVT ficou com a suspensão mais alta (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Em agosto deste ano, no lançamento da linha 2020 do Sandero e do Logan, as principais novidades da família compacta da Renault eram uma reestilização específica para o Mercosul, a inclusão dos airbags laterais como itens de série e a merecida “aposentadoria” do câmbio automatizado em favor de um legítimo automático do tipo CVT. A adoção do novo câmbio teve como “efeito colateral” o aumento do vão livre entre a carroceria e o solo em 4,5 centímetros, nas versões equipadas com motor 1.6 litro e câmbio automático CVT, para abrigar a transmissão maior.
E a configuração na qual essa “postura mais elevada” caiu melhor foi justamente a aventureira Stepway que, por sinal, deixou de ser denominada Sandero Stepway e passou a ser apenas Stepway. Abandonar a denominação Sandero é uma estratégia de marketing para conferir mais personalidade à versão mais cara do hatch, que passou a ser oferecida em três opções, todas com o mesmo motor 1.6 flex – a Zen, com câmbio manual, a intermediária Intense e a “top” Iconic, as duas últimas com o CVT.

Mudanças no visual foram mínimas na linha de hatchs da Renault. Lanternas traseiras estão mais alongadas (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Em termos de design, os faróis do Stepway 2020 mantêm os contornos dos antigos Sandero Stepway, mas tiveram seus elementos internos todos redesenhados, incorporando luzes diurnas em forma de “C”, com apliques cromados na moldura dos faróis de neblina. A versão aventureira ficou mais elegante, especialmente graças ao para-choque dianteiro, que ganhou um desenho com linhas mais harmônicas e menos apliques plásticos. As peças plásticas na dianteira e traseira, chamada de skis, vêm na cor prata.
Atrás, as lanternas são mais alongadas, invadem a tampa do porta-malas e ganharam máscaras negras. Como no Sandero, a abertura externa do porta-malas é feita pelo botão “camuflado” no centro do logotipo da tampa; a fechadura, que antes ficava abaixo do nome do carro, desapareceu. Sob qualquer ângulo que se observe, os 4,5 centímetros a mais na altura deram ao modelo um aspecto mais robusto e uma impressão de se tratar de um carro maior em comparação ao antigo. E deve agradar muito aos consumidores nesses tempos em que a “estética SUV” se alastra em todas as marcas de automóveis.
Se em termos estilísticos as inovações foram sutis e o motor permanece o mesmo 1.6 flex de até 118 cavalos, o grande destaque ficou mesmo por conta do câmbio. O automatizado Easy R e seus eventuais solavancos deram lugar a um CVT X-Tronic, o mesmo utilizado no Duster, no Captur e no Nissan Kicks. A nova transmissão de seis marchas simuladas e possibilidade de acionamento manual na manopla oferece um comportamento bem mais civilizado e sereno. Em termos de segurança, algumas evoluções interessantes. Além dos quatro airbags de série, o modelo recebeu quatorze quilos de reforço estrutural e o cinto de três pontos e os encostos de cabeça passaram a estar disponíveis para todos as assentos. Os bancos ganharam uma espuma mais espessa e apoios laterais e o volante foi redesenhado para se tornar mais ergonômico. Na versão Iconic, são revestidos em um tecido sintético que imita couro.

Com todos opcionais, a versão top do Renault Stepway ultrapassa o valor de R$ 75 mil (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

As versões Intense e Iconic do Stepway 2020 trazem de série sensor de estacionamento, direção eletro-hidráulica, alarme, faróis de neblina, chave canivete, rádio, função start-stop, controle eletrônico de estabilidade (ESC), assistente de partida em rampa (HSA), ar-condicionado automático, câmera de ré, vidros traseiros elétricos, retrovisores elétricos, piloto automático (controlador e limitador de velocidade) e sistema multimídia Media Evolution. Na cor vermelha, o Stepway Iconic sai por R$ 73.890. Todas as outras cores – as opções não são muitas e se limitam ao branco, preto, prata, cinza e ao bege do modelo testado – custam R$ 75.390. O preço do Stepway “top” fica R$ 2.100 acima da versão Intense e agrega sobre a configuração intermediária somente os sensores de chuva e de luminosidade, revestimento em “couro sintético” nos bancos e rodas de liga leve em dois tons.
O bom espaço interno, que sempre foi um ponto alto do modelo, permanece inalterado. Há até espaço suficiente para um quinto passageiro sem que todos fiquem espremidos demais no banco de trás. A cabine, embora não seja luxuosa, é bem acolhedora. Os bancos revestidos em “couro sintético”, em um interessante padrão bicromático, ficaram mais envolventes e confortáveis. Há travas elétricas em todas as portas e o ar-condicionado é automático. A direção continua com ajuste apenas vertical e os comandos dos vidros elétricos traseiros saíram do console central e passaram para a porta do motorista. Um apoio de braço central para o motorista seria bem-vindo. O sistema multimídia incorpora tecnologia Android Auto e Apple CarPlay. A tela sensível ao toque de sete polegadas é do tipo capacitiva, com melhor precisão do toque.

Sem luxos, o interior do Stepway, no entanto, acolhe bem o motorista e oferece sistema multimídia (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Uma transmissão CVT permite que o motor trabalhe com rotação mais baixas para atingir as mesmas velocidades, reduzindo o consumo. Em baixas rotações, em especial nas arrancadas e retomadas, as respostas normalmente são pouco vigorosas. Mesmo fazendo mudanças manualmente na alavanca, que visualmente parece bastante com a de um câmbio manual, o ganho não é tão significativo. O motor 1.6 16V, com 118 cavalos de potência e torque de 16 kgfm quando abastecido com etanol, exibe maior disposição em giros altos, o que pode frustrar um pouco a quem gosta de uma performance mais esportiva, algo que não chega a ser a proposta do Stepway. Para quem roda de forma mais desestressada, o carro atende bastante bem. O barulho do motor em altas rotações é um tanto mais elevado do que o desejável.
Os solavancos e a lentidão nas mudanças de marchas do antigo câmbio automatizado da linha Sandero e Logan não agradavam a ninguém. Assim, os modelos ganharam câmbio CTV e, por conta disso, tiveram a suspensão elevada para acolher a nova transmissão. De dimensões maiores que as antigas automatizadas, parte do câmbio avança alguns centímetros para baixo e poderia sofrer impactos em terrenos muito irregulares. Para evitar problemas, a engenharia da Renault optou por elevar o carro todo. Quem dirige a versão Iconic 1.6 CVT X-Tronic do Stepway tem a sensação de olhar os outros carros de cima, como normalmente acontece com quem dirige SUVs e picapes médias e grandes.
Contudo, ao contrário do que poderia se supor, a elevação da suspensão não comprometeu a estabilidade e o Stepway preserva o rodar confortável e sem sustos. O controle de estabilidade (ESC) de série na versão Iconic ajuda a manter o carro na trajetória em manobras rápidas e bruscas. O modelo ganhou ainda controle de tração e assistente de partida em rampa, ambos bastante efetivos. A assistência eletro-hidráulica da direção proporciona alguma suavidade nas manobras, embora não seja das mais leves. E o novo volante, com desenho herdado do Clio europeu, tem boa empunhadura e visual mais moderno. (Luiz Humberto Pereira/AutoMotrix)

Ficha técnica
Renault Stepway Iconic 1.6 16V CVT X-Tronic

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1,6 litro, 16 válvulas, flex. Tração dianteira
Potência: 115 cavalos com gasolina /118 cavalos com etanol a 5.500 rpm
Torque: 16 kgfm a 4 mil rpm
Câmbio: CVT com 6 marchas simuladas acionáveis manualmente na alavanca
Direção: eletro-hidráulica
Suspensão: independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Pneus: 205/55 R16
Dimensões: 4,07 metros de comprimento, 1,73 metro de largura, 1,63 metro de altura e 2,59 metros de entre-eixos
Tanque: 50 litros
Porta-malas: 320 litros
Peso: 1.151 kg
Preço: na cor Vermelho Vivo, sai por R$ 73.890. Na cor Bege Dune do modelo testado custa R$ 75.390

Tags

Deixe seu comentário