EDITORIAL

Retomada das atividades

Laerte Silva

Temos informações suficientes do longo período de isolamento social que a pandemia nos obrigou para tirar conclusões e dizer se esse é um ano perdido ou não. Deixando de lado opções erráticas, o exibicionismo de governantes e as “lives” de famosos com os bolsos cheios ganhando mais dinheiro ainda com propaganda de cerveja, como se tudo fosse festa, a doença continua levando ao oriente eterno pessoas de bem, batalhadoras, inclusive da linha de frente da saúde.

É um paradoxo, ao mesmo tempo em que precisamos nos curvar aos cuidados sanitários com a doença grave que segue, é preciso retomar as atividades, muitos já perderam seus empregos e negócios ou estão vendendo bens para suprir a receita que evaporou. O dinheiro de ajuda do Governo não é para todos e vai acabar. Se a economia não gira, cai a arrecadação de tributos, o que não permitirá assistência por muito tempo. É a realidade batendo a porta.

Patrões mediante medida provisória fizeram redução de jornada e salário, suspensão de contrato de trabalho, banco de horas, licença remunerada e home office, porém, salvo as empresas altamente tecnológicas, os pequenos negócios precisam fluir como eram para garantir empregos e a sobrevivência do dono do negócio também. Caminhando pelas ruas das cidades, o cotidiano segue com aglomerações na hipocrisia do fechamento. Muitos não protegem a si e aos demais, zombam das medidas de isolamento, o que faz esticar a tal curva de contaminação. Além de assim adiar a retomada segura e plena das atividades, matam a esperança de convívio saudável. É um problema mundial, mas no Brasil das desigualdades extremas, tudo isso nos mostra que fez falta um plano nacional para seguirmos em frente. Não sei se multar por falta de máscara vai recuperar o ano, se é que para alguns já não está perdido!

Laerte Silva é advogado


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