ARTIGO

Revisão do Plano Diretor

José Arraes

Dias atrás, encontrei-me com um dos melhores mogianos, o senhor Miguel Sanchez, vereador, jurista, cidadão e principalmente, sob a minha ótica nada parcial, morador do Mogilar. Ao seu tempo e época um cidadão de postura ética.

E é sob este aspecto, o da cidadania que exorto alguns outros, a participarem da oportunidade periódica da revisão do Plano Diretor do nosso Município, hoje exposto no site da Prefeitura, de fácil acesso, completo e minucioso.

Não basta somente confiarmos na competência pública para se ter um documento que se propõe nortear os nossos destinos no futuro. Não quero (e não tenho nem capacidade) para desmerecer o trabalho árduo, desenvolvido pelo Planejamento Municipal, mas o texto final precisa ser “revisto” por todos nós que moramos aqui.

Poucos municípios têm a conjuntura geográfica bem definida como o nosso. O mapa cartográfico nos mostra três grandes faixas distintas que devem merecer minuciosos “cuidados” futurísticos:

-A região norte do Município que muitos agregam o nosso futuro, de área privilegiada, terra fértil e destino de empreendimentos industriais e do agronegócio;

-A do Sul do Município, ao contrário, estão as áreas de preservação de proteção aos Mananciais, onde já existe uma lei ditando normas rígidas para esse fim

-A região central, com extensão loteada no sentido Oeste/Leste deverá ser desenvolvida sob os olhares da Serra do Itapety de um lado e da Serra do Mar (ou Mata Atlântida) do outro, pontos ecológicos importantes até para a preservação do ar que respiramos.

Estes são os primeiros enigmas. Se ontem éramos 200 mil moradores, hoje quinhentos, na próxima revisão seremos geometricamente muito mais se considerarmos a procura paulistana pelos nossos campos, ares, lazeres, condomínios, serras e beleza.

E aí, o nosso segundo enigma. Somado que não tratamos os nossos esgotos domiciliares, não cuidamos e nem estamos aí para o nosso lixo produzido, não temos água superficial suficiente e a subterrânea teimamos em querer contaminá-la, quer o Aquífero São Paulo quer o Taubaté. Temos projetado com júbilo estratégico as canalizações de nossos córregos, o tamponamento das nossas nascentes, o derrubar das nossas árvores.

Este é o nosso pior e terceiro enigma. Ser mogianos não é somente “nascer” aqui.

Também é “estar aqui” participando, senão, uma árvore, um macaquinho, o rio Tietê e tantos inanimados são muito mais importantes, pelo menos dão, no mínimo, simbolismo de “vida” à natureza.

José Arraes é presidente do ICATI (Instituto Cultual e Ambiental Alto Tietê).