CONSCIENTIZAÇÃO

Ricardo Sartorello defende a educação ambiental como ferramenta para a preservação

CONSCIENTIZAÇÃO O professor Ricardo Sartorello defende a educação ambiental e pontua resultados negativos diretamente ligados à perda da mata. (Foto: arquivo)

Geógrafo, professor do mestrado em Políticas Públicas da UMC e um dos desenvolvedores do Plano Municipal de Arborização de Mogi das Cruzes, Ricardo Sartorello defende a educação ambiental como a principal ferramenta para a preservação ambiental. Neste Dia do Meio Ambiente, ele faz exatamente isso: ensina ao mostrar os reflexos diretos da perda das espécies da fauna e flora da Mata Atlântica, um bioma que correu riscos com o despacho ministerial 4.410/20, publicado no dia 6 de abril, pelo governo federal.

As consequências de anistiar multas desde 2008, comenta o geógrafo, são bem graves, porque a medida legaliza e incentiva o desmatamento, ainda mais neste momento em que há pouco mais de 10% desse tipo de mata nativa, quando considerado os 100% que ocupavam o território brasileiro, sobretudo em São Paulo, o estado que possui que o bioma ao longo da Serra do Mar.

Essa parte entre o planalto e o litoral paulista foi blindada da ocupação justamente por causa do declive acentuado, que contribuiu para o desinteresse do mercado imobiliário. A pressão por moradia, no entanto, coloca em risco esse território verde.

Sartorello pontua três resultados negativos diretamente ligados à perda da mata. O primeiro impacto é a falta de polinizadores. “As plantas são polinizadas pelo vento e outras por animais, a maior parte da vegetação e dos alimentos que temos na cidade depende de abelhas, vespas, e elas se criam e procriam nas florestas. Sem florestas, você não tem a mesma quantidade de abelhas e vespas”, explica.

O segundo prejuízo, de grande importância, é a produção da água. A diminuição da floresta reflete na redução de absorção de água que depois formam as nascentes. As florestas são os pontos de reabastecimento de água. “As pessoas não relacionam o rio e ter a água correndo o tempo inteiro com o armazenamento hídrico no solo, e é a floresta que faz este trabalho de não deixar a água bater no solo e correr direto para o rio e depois para o mar. A mata faz com que a água infiltre no solo e a leve para o lençol freático e até as partes mais baixas, onde nascem os rios”, destaca.

Por isso, mesmo que uma região tenha bastante água, se não houver floresta, não há o armazenamento que permita a manutenção. Um dos exemplos, detalha o professor, é que quanto menor a quantidade de água, menor também a sua qualidade, por isso o Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) enfrenta maior dificuldade de entregar a água limpa em ocasiões mais secas, porque a qualidade do líquido colhido no rio Tietê é menor.

O terceiro ponto é a questão climática, com a perda do equilíbrio nas temperaturas. Sem área verde, menor é o acúmulo de umidade, e a cidade fica mais quente e seca. “Nós já temos no município a mancha urbana com ilha de calor por falta de arborização. Estamos fazendo estudos para ver como fazer uma arborização na cidade. Estamos fazendo um plano importante, mas depende de um equilíbrio, porque precisa manter também a parte verde na área rural de Mogi”, ressalta.


Deixe seu comentário