MEIO AMBIENTE

Rio Tietê espera retirada de vegetação em Mogi

Remoção prometida pelo estado para melhorar qualidade da água, considerada de regular a péssima, volta a ser cobrada. (Foto: Eisner Soares)
Remoção prometida pelo estado para melhorar qualidade da água, considerada de regular a péssima, volta a ser cobrada. (Foto: Eisner Soares)

O pedido para a retirada das plantas aquáticas do Rio Tietê a fim de melhorar a qualidade da água no ponto de captação na Estação Pedra de Afiar, no Cocuera, feito na semana passada pelo vereador Diego de Amorim Martins (MDB) ao Governo do Estado, trata de um assunto antigo: a poluição do manancial que começa a morrer entre Biritiba Mirim e Mogi das Cruzes, pouco depois de nascer, em Salesópolis.

O parlamentar questiona a remoção prometida pelo Estado para melhorar a qualidade da água, considerada de regular a péssima, nas medições anuais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb (veja matéria nesta página).

O crescimento de aguapés no leito do rio sinaliza para o alto índice de poluição porque a planta cresce em ambientes poluídos.

O problema ganhou contorno mais grave no final do ano passado, quando a quantidade de vegetação e a baixa vazão da água alertaram sobre as condições de captação da água na Cidade.

No início deste ano, a pedido da Prefeitura de Mogi, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) anunciou que iria retirar as plantas, mas uma denúncia feita ao Ministério Público por José Arraes, presidente do Instituto Cultural do Alto Tietê (Icati) adiou o plano porque qualquer intervenção no Rio Tietê requer o licenciamento ambiental.

Da boa qualidade da água dependem a segurança do sistema de captação e a redução de elementos químicos usados no tratamento do produto que chega à casa dos mogianos. Se questiona, aqui, a qualidade da água do rio.

As últimas análises sobre a qualidade mostram o avanço da poluição, num ponto ainda livre da carga residencial de esgotos de bairros, como Socorro e César de Souza. Nos períodos de chuva, quando elementos são arrastados, o índice de poluentes aumenta.

O professor e engenheiro aposentado José Roberto Kachel dos Santos compara a remoção das plantas a enxugar gelo. Sem desmerecer a iniciativa do vereador, ele destaca que a retirada dos aguapés vai eliminar apenas “os efeitos, como a proliferação dessas plantas aquáticas, sem cuidar das causas que são bem mais complexas do que aparentam ser”.

Ele lembra que apesar de a Captação Pedra de Afiar do Serviço Municipal de Águas e Serviços (Semae) contribuir para a Área de Proteção e Recuperação de Mananciais do Sistema de Produção de Água do Alto Tietê (Spat), a qualidade da água apresenta certo grau de degradação, principalmente na estação chuvosa.

“Os resultados ruim e péssimo para a qualidade da água desde 2008 são explicados pela Cetesb como resultado do arraste de substâncias utilizadas na intensa atividade agrícola praticada na Bacia Hidrográfica, com ênfase aos fertilizantes, pois se constata altas concentrações de fósforo a montante da Pedra de Afiar”, afirma Kachel.

Esse problema foi discutido por ele no Subcomitê de Bacia Alto Tietê Cabeceiras durante apresentação da Minuta do Plano de Desenvolvimento e Proteção Ambiental (PDPA), em maio de 1993. “Nesse momento, pude constatar que a questão da captação de água de Mogi havia sido simplesmente omitida no PDPA e, pelo visto, nada foi feito a respeito, desde aquele tempo. Simplesmente remover o aguapé, sem eliminar a causa, que é o arraste de nutrientes provenientes da atividade agrícola, seria de certa forma enxugar gelo, porque a vegetação voltará a crescer”, opina ele.

Semae e Sabesp trocam responsabilidades
O Índice de Qualidade das Águas Brutas para fins de Abastecimento (IAP) no ponto de captação da Estação Pedra de Afiar, do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), mostra uma oscilação entre as categorias regular, ruim péssima, a partir de 2009 até 2017, sendo que em 2008 e no ano passado, as avaliações foram as piores. Sobre o tema, Semae e Sabesp trocam responsabilidades entre si.

Os índices da Cetesb mostram a poluição desse trecho e que a degradação do rio começa antes de ele receber a alta carga de esgotos, a partir do Socorro e de César de Souza.

O Diário solicitou aos dois órgãos, uma posição sobre esses resultados.

O Semae afirma que a gestão do Rio Tietê é do Governo do Estado, que responde pelas condições da água que chega à Estação Pedra de Afiar.

A autarquia municipal diz que tem contribuído para a limpeza do rio com investimentos na coleta e no tratamento do esgoto, repetindo a informação sobre o salto de despoluição de 0,5% em 2000 para os atuais 61%.

E, quanto o que interessa a todos, a influência da poluição na captação responde que “quando a qualidade da água na captação é ruim, é necessário um volume maior de insumos utilizados no tratamento, encarecendo o processo”.

Já a Sabesp, também por meio da Assessoria de Imprensa, encaminhou a seguinte resposta: “A Sabesp esclarece que sua responsabilidade e escopo de atuação se referem somente ao ponto de transferência Jundiaí-Taiaçupeba e dos reservatórios de mesmo nome, que fazem parte do Sistema Alto Tietê, e vêm apresentando indicadores com condições boas ou ótimas nos últimos anos, de acordo com o Índice de Qualidade das Águas (IQA), da Cetesb, índice utilizado pela Sabesp. As ações da companhia para melhorar a qualidade neste ponto são contínuas. Além do monitoramento, a empresa faz aplicação de algicidas para eliminação de algas (cianobactérias) sempre que necessário. O segundo ponto mencionado se refere à captação do Semae no Rio Tietê e é responsabilidade do mesmo. Sobre a atualização das análises do IAP, o indicador é calculado e publicado pela Cetesb. Por fim, lembramos que toda água captada pela Sabesp ainda passa pelo processo de tratamento para torná-la potável, atendendo a todos os padrões exigidos pelo Ministério da Saúde.”