Risco na chegada à Apae

Dias atrás, vereadores ouviram durante duas horas os argumentos de três secretários municipais sobre a impossibilidade de atender, num curto prazo, o pedido de pais e alunos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) para a melhoria do acesso à unidade da Rua Carmem Moura Santos, na região central. Claudio Rodrigues, de Obras, Nobuo Aoki Xiol, de Transportes, e Nilmar Cássia Ferreira, de Serviços Urbanos, disseram que planos existem, mas faltam recursos financeiros para atenuar os riscos de acidentes e facilitar a vida dos frequentadores que possuem mobilidade reduzida e/ou usam cadeiras de rodas.Três emendas federais foram destinadas em diferentes épocas para a entidade mogiana, mas o dinheiro não chega. Há projetos para as intervenções, mas não se sabe quando e “se” eles serão executados. Enquanto isso, a vida de quem frequenta a Apae é arriscada. Os alunos e as mães que os levam para as atividades continuam penando com o desnível da calçada quando chegam de carro ou ônibus. Nos dias de chuva, a situação de agrava. Basta um descuido, um escorregão para um acidente que, somente quem é mãe – as que sentem e sabem  mais -, pai, professor, médico e fisioterapeuta sabem o que significa na vida dos alunos.
Essas pessoas vivem constantemente apreensivas com a possibilidade de uma queda que venha a prejudicar um trabalho lento que busca incluir uma parcela da população que, às vezes, se verá dependente da cadeira de rodas, da bengela, e etc. por toda a vida. Para essa população, e aí estão não apenas a pessoa deficiente, mas a mãe que o leva para aqui e ali, há armadilhas em todos os lugares, dentro de casa, na rua, na repartição pública, na escola. Mas, no acesso à Apae, o que é um desafio urbano, indigna mais. A Apae é a segunda casa dessas pessoas. É onde elas passam a maior parte da vida e já chegam intranqüilas, preocupadas com a altura da calçada.
Os secretários descartaram qualquer possibilidade de atender ao pedido agora. A oito meses do final da gestão atual, o assunto deve ficar mesmo para o próximo prefeito, salvo se o pedido sensibilizar as pessoas certas. O problema não é novo. Vem e volta ao noticiário e, desta vez, num período pré-eleitoral quando assuntos espinhosos costumam a ganhar espaço na agenda do Legislativo. Não nos enganam: há um oportunismo nisso, mas como rechaçar a oportunidade de falar sobre um absurdo desses? É uma maneira de reverberar o que os organismos que atendem e lutam pelos direitos da pessoa deficiente fazem  o ano inteiro e não encontram reação de quem pode, sim, dar prioridade a esse clamor. Nada detém a vontade política.  A esperança é que o pedido da Apae não caia no esquecimento, depois dos votos apurados.


Deixe seu comentário