EDITORIAL

Rota da Luz

Para fazer frente ao tradicional caminho da Dutra, Rota da Luz precisa de atenção

Recomendado como um caminho mais seguro e planejado para receber os peregrinos com destino à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, a Rota da Luz, com ponto de partida em Mogi das Cruzes, chega aos três anos com uma estrutura precária e vulnerável para o recebimento dos romeiros.

A opção é sugerida pela CCR NovaDutra aos peregrinos na campanha de orientações lançada neste final de mês sobre a presença de romarias no acostamento da rodovia Presidente Dutra nos próximos meses.

Nas semanas que antecedem o dia da padroeira do Brasil, 12 de outubro, os acidentes são frequentes Na comparação entre 2017 e 2018, os atropelamentos aumentaram 200%, sendo a maioria deles registrada entre setembro e novembro. Dois romeiros já morreram neste 2019, segundo a concessionária da rodovia.

Criada como alternativa mais segura para o turismo de fé, em ascensão, aliás, no Brasil e muitos outros países, a Rota da Luz percorre estradas de terra com um visual bucólico e atrativo para o visitante. O contraponto está na frágil estrutura para o recebimento dos usuários.

Na Dutra, o peregrino enfrenta riscos mesmo caminhando pelo acostamento. Mas se beneficia do apoio dado por um circuito de restaurantes, lanchonetes, postos de gasolina e hotéis, além do sinal frequente para o uso de um celular, diante de qualquer incidente.

A Rota da Luz começa a se equipar lentamente. O poder público (Governo do Estado e prefeituras) gostariam que o caminho fosse o preferido pelos milhares de peregrinos e ciclistas. Mas pouco têm investido de fato no caminho para incentivar empreendedores a investirem no potencial econômico do turismo religioso que começa a se popularizar –mas, veja, muitos peregrinos sequer conhecem a opção.

O caminho carece de um plano governamental que produza efeitos por meio de benefícios fiscais e apoio logístico, inclusive para vincular a atividade comercial à rotina do peregrino. De nada adianta um ponto de apoio que permanece aberto só entre setembro e novembro, ou que funcione fora dos horários que as pessoas costumam tomar café da manhã ou almoçar. Em caminhos como o de Santiago de Compostela, mesmo nos menores lugarejos, um comércio abre nas primeiras horas da manhã, quando o caminhante começa a jornada.

Ações começam a acontecer. Mogi das Cruzes, pela primeira vez, manterá uma ronda de apoio feita por funcionários da Secretaria Municipal de Cultura no trecho mogiano, entre Sabaúna e Guararema, para acolher o caminhante. É um início. Outra coisa positiva foi a recente criação de uma Associação dos Amigos da Rota da Luz (AARL).

Para fazer frente ao tradicional caminho cumprido pela Dutra, a Rota da Luz precisa de muito mais.

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