Roubos crescem e homicídios caem no Estado

Mágino Alves, secretário de Segurança, diz que aumento é reflexo da má economia. (Foto: Rovena Rosa/ABR)
Mágino Alves, secretário de Segurança, diz que aumento é reflexo da má economia. (Foto: Rovena Rosa/ABR)

Os roubos no Estado de São Paulo aumentaram 6% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto isso, o número de vítimas de homicídio doloso caiu 12% nos primeiros seis meses do ano em relação ao primeiro semestre de 2015 e atingiu o menor patamar desde o início da série histórica, em 2001. A tendência é a mesma na capital paulista.

Os dados fazem parte das estatísticas criminais mensais divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública ontem. No total, houve 160,7 mil casos de roubos no Estado de SP de janeiro a junho em 2016, contra 152,2 mil no primeiro semestre de 2015.

Para o secretário da Segurança de São Paulo, Mágino Alves, o aumento é reflexo da má situação da economia. “O agravamento da crise econômica mostra uma elevação de crimes patrimoniais”, disse. “Nós já estamos programando várias ações, e aí a gente tem certeza de que você vai ter um impacto negativo [diminuição] nesse número”, afirmou.

Para o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi, a hipótese não se confirma no curto prazo em relação aos roubos. “Pode ter alguma influência, mas não explica. Um sujeito que tem 30 anos e está sem emprego, passou a vida trabalhando, não muda a atitude assim, não começa a roubar. Só se fosse em um prazo maior, de cinco a dez anos.”.
Ele diz que, se houver alguma influência, pode ser no número de furtos (que cresceram 4% no Estado e 2% na capital), mas não de roubos.

Mingardi levanta duas hipóteses para a alta dos crimes. “Há mais armas circulando em São Paulo, e a arma que o sujeito guarda em casa, mais dia menos dia, acaba caindo na mão do bandido. Além disso, tem o exemplo do PCC [Primeiro Comando da Capital], que influencia a meninada, que diz que o crime compensa, sim”.

Os roubos de carga diminuíram 1% no primeiro semestre, mas, na comparação de junho de 2016 contra junho de 2015, houve um aumento de 34%.

Em relação aos homicídios dolosos, o número de vítimas chegou a 1.785 no primeiro semestre deste ano, redução de 12% na comparação com 2015. A queda no número de vítimas tem sido frequente e este é o menor índice desde 2001, chegando a uma taxa de 8,56 vítimas a cada 100 mil habitantes. A queda é similar à de casos de homicídio doloso, de 11%.

A secretaria da Segurança rechaça a hipótese de que a existência do PCC é mais efetiva que a ação das polícias para a queda dos homicídios.

Mingardi também questiona a ideia. Segundo ele, a hipótese pode fazer sentido a partir de 2005, “mas os homicídios caem desde 2001, quando o PCC não tinha força alguma”. “A faixa etária das pessoas que matam e morrem, dos 18 aos 35 anos, encolheu em São Paulo. Isso pode ter também uma influência. Mas nenhum desses fatores é decisivo para explicar a queda dos números”, afirma.

O número de vítimas de homicídio doloso na capital caiu 21% no primeiro semestre deste ano em relação ao ano passado. Essa também foi a menor taxa da série histórica: 8,07 pessoas mortas por 100 mil habitantes. O número de casos caiu 18%.

Já os roubos cresceram 2% de janeiro a junho em relação a 2015, atingindo 78 mil casos. A grande queda aconteceu nos roubos a bancos: 53% menos no primeiro semestre (22 casos contra 47), e 86% de redução na comparação entre junho de 2015 e de 2016.


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