“Rumos” seleciona Casa do Congado

Os grupos de congada de Mogi das Cruzes, que ganham as ruas da Cidade nestes dias de Festa do Divino, terão oportunidade de registrar seus cantos e orações em discos / Foto: Jonny Ueda
Os grupos de congada de Mogi das Cruzes, que ganham as ruas da Cidade nestes dias de Festa do Divino, terão oportunidade de registrar seus cantos e orações em discos / Foto: Jonny Ueda

O projeto Cantos Sagrados – Reinado de Congos de Mogi das Cruzes, elaborado pela Casa do Congado de Mogi das Cruzes,  é um dos 116 selecionados do Programa Rumos Itaú Cultural 2015-2016, divulgado ontem. Para aparecer como o oitavo escolhido para receber fomento financeiro destinado à produção artística, a entidade mogiana venceu uma peneira apuradíssima: nesta edição, 12.126 grupos e artistas se inscreveram em uma das seleções culturais mais concorridas do País. Ao todo, serão distribuídos R$ 15,5 milhões aos eleitos, e colocada à disposição deles a estrutura do instituto para a execução dos projetos.

Os recursos serão utilizados em registros da história do Reinado de Congos, representado por nove agremiações em atividade, de acordo com a defesa do projeto, encaminhada ao Itaú Cultural. São eles: Congada de Santa Ifigênia, Congada Marujada de Nossa Senhora do Rosário, Congada Batalhão de Nossa Senhora Aparecida, Congada de São Benedito de César de Souza, Congada de São Benedito do Santo Ângelo, Congada do Divino Espírito Santo, Moçambique Capela Santa Cruz, São Gonçalo de Vila Natal e Moçambique de São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.

A Casa do Congado teve aprovada a produção de nove discos com registros de cantos e orações de cada um dos participantes e a produção de um documentário sobre os grupos de devotos de santos negros que, nestes dias ganham as ruas de Mogi em diversos momentos da Festa do Divino Espírito Santo, que termina no próximo domingo.

Passar por essa peneira confirma a riqueza de uma manifestação cultural mogiana, que possui outros registros documentais de fôlego. Hoje, a Casa do Congado, que tem o músico e produtor Deo Miranda na coordenação, desenvolve o projeto “Mapeamento e Resgate de Aspectos da Cultura Tradicional de Comunidades Afrodescendentes de Mogi das Cruzes”, ao lado ao Iphan  – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e em parceria com a Unesco. O estudo registra a Congada como um patrimônio imaterial da cultura brasileira. O fomento, agora obtido, soma-se a esse esforço iniciado alguns anos atrás, com os primeiros levantamentos sobre o surgimento desses grupos, que nasceram em bairros periféricos pelas mãos de congadeiros vindos de municípios mineiros para a Cidade, durante a era da Siderurgia, tais como Chico Preto, morador no Distrito de César de Souza e mestre da Congada de São Benedito.

A Casa do Congado nasceu em 2009 e agrega oito grupos, com prevalência da Congada, Marujada e Moçambique. Tem como espinha dorsal a reunião e a defesa dos participantes desses grupos religiosos e folclóricos. (Eliane José)


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