PREVENÇÃO

Sabaúna irá malhar o Aedes aegypti

Técnicos percorrerão Sabaúna realizando visitas, vistorias e orientações à comunidade sobre o mosquito Aedes aegypti (Foto: divulgação)
Técnicos percorrerão Sabaúna realizando visitas, vistorias e orientações à comunidade sobre o mosquito Aedes aegypti (Foto: divulgação)

Sabaúna viverá de maneira diferente amanhã a tradição católica conhecida como Malhação de Judas, mantida por crianças que produzem um cortejo com bonecos de pano e jornal, pisoteados e jogados de um lado para o outro, até chegar a estabelecimentos como bares e lanchonetes, onde os comerciantes costumam dar balas à turma. Em vez de malhar Judas, quem será combatido é o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti.

Na cena bíblica sobre perseguição e a morte de Jesus Cristo, Judas foi o amigo que o entregou para ser julgado e crucificado em troca de 30 moedas. Após a delação, arrependido, Judas comete o suicídio.

Séculos depois, o mesmo ritual se repete principalmente em comunidades de bairros e pequenas cidades. Em Sabaúna, no passado, o sábado de aleluia era marcado por um outro rito: a confecção do testamento de Judas, que era, na verdade, um relato escrito por algumas pessoas que recontavam fofocas e acontecimentos apimentados com os próprios moradores no decorrer do ano. A manhã da véspera da Páscoa era super esperada no distrito.

Os autores do “documento”, claro, mantinham o anonimato. Os “testamentos” eram entregues nas casas e estabelecimentos comerciais, durante a madrugada. Com o passar do tempo, as brincadeiras começaram a subir o tom da malícia e traziam detalhes íntimos de relacionamentos e ofensas pessoais aos moradores. Eram uma versão escrita do hoje combatido bullying. Ou seja, o que era para ser um entretenimento passou a trazer muitas dores de cabeça para a comunidade. Até que os escritos passaram a não mais circular.

Amanhã, o Núcleo de Prevenção e Controle de Arboviroses realiza, das 9 às 16 horas, uma ação especial de combate ao mosquito Aedes aegypti. Os técnicos percorrerão o distrito realizando visitas, vistorias e orientações à comunidade, aproveitando a grande movimentação do evento para difundir a importância da prevenção com o fim dos criadouros do inseto.
O objetivo é prevenir a proliferação do mosquito em Sabaúna, reforçando as medidas e cuidados que precisam ser adotados na rotina de todos os moradores.

Neste ano, entre 1º de janeiro e 18 de abril, Mogi das Cruzes registrou 81 casos suspeitos de dengue em pacientes mogianos, dos quais 17 foram confirmados positivamente, Outros 47 foram descartados e 17 aguardam resultados de análises laboratoriais. Durante todo o ano passado houve seis casos positivos.

Além do aumento no número de casos, os estudos indicam que o Aedes aegypti está presente em todo o território. Os 17 casos já confirmados neste ano, por exemplo, foram registrados em 12 bairros distintos.“Durante a semana, dentro das ações de rotina, daremos continuidade aos bloqueios indicados para locais com casos autóctones e também para os levantamentos da Análise de Densidade Larvária, que precisa ser realizada obrigatoriamente no mês de abril”, explica a veterinária e coordenadora do Núcleo, Débora Murakami.

Os bloqueios de criadouros do Aedes aegypti já foram realizados no Parque Santana, Jardim Camila, Caputera e Jundiapeba e, atualmente, está em andamento no Real Park. O próximo bairro dentro da programação será a Vila Suíssa.