EDITORIAL

Sabedoria popular

Em fevereiro, na primeira visita feita pelo secretário estadual João Octaviano Machado Neto, de Logística e Transportes, à Estrada da Volta Fria, em Mogi das Cruzes, ele teve a mesma impressão de os todos os que percorrem os 7,5 quilômetros do precário e inseguro do acesso interditado para veículos pesados: “Não tem cabimento fazer um percurso como este e desembocar em uma ponte como esta”, disse o secretário, logo após classificar a obra uma prioridade da pasta estadual: “Isso passa a ser prioridade para a gente”.

Nove meses depois disso, o Governo do Estado ainda não licitou o serviço propriamente dito. Porém, já a incluí no programa de vicinais e lançou uma concorrência pública para o plano hidrológico, obrigatório para a obtenção das licenças ambientais da passagem sobre o Rio Tietê.

As notícias respondem ao esperado há anos pelos moradores do bairro. Porém, prevalecem os sentimentos de desconfiança e descrédito entre os integrantes da comunidade da Volta Fria.

Ao longo das décadas, outros gestores públicos usaram palavras semelhantes diante da mesma cobrança. A ponte da Volta Fria é uma das mais antigas obras abandonadas pelo Governo do Estado.

Estão lá as estruturas de ferro deixadas por uma empreiteira contratada no governo do Orestes Quércia, que não executou o serviço, nem respondeu pela quebra do contrato. Períodos eleitorais foram vividos e promessa voltava a ser feita de discurso em discurso. Até agora a Volta Fria não foi prioridade.

É por isso que não cabe ilusão, como revela a moradora Vera Lúcia da Silva Pereira, presidente da Associação dos Moradores da Volta Fria e Adjacências.

Mais moradores chegaram, outros usos foram dados à Estrada da Volta Fria, que recebe um grande volume diário de caminhões pesados. Desde 2014, por causa dos riscos aos usuários, a ponte está fechada para veículos pesados, como os ônibus que atendem trabalhadores, estudantes, idosos, crianças…

À nossa reportagem, Vera Lúcia foi precisa:“um bom governo é aquele que vê uma ponte caindo e reconstrói, não a interdita”.

As condições da ponte pioram. A interdição parcial completou cinco anos em junho passado. A sabedoria popular é irretocável.


Deixe seu comentário