EDITORIAL

Salve o Divino Espírito Santo

Tem início na quinta-feira da próxima semana, com a benção das bandeiras e o levantamento do mastro, a edição 2019 da Festa do Divino Espírito Santo, decididamente a mais concorrida e emblemática dentre todas as celebrações comunitárias de Mogi das Cruzes. Ela independe da vontade de quem quer que seja, não utiliza recursos públicos, é resultado do desejo de cidadãos comuns, que se unem no ideal coletivo de celebrar a fé.

Traz, na sua história, momentos e personagens típicos de tudo isso. Do que é prova gravação que intelectuais do quilate de Mário de Andrade e de Claude Lévi-Strauss fizeram, no Largo do Bom Jesus, focando as congadas que então participavam da Festa do Divino de 1936.

Lega-nos essa mesma tradição a presença de gente como Nha Zefa. Josefina Franco de Camargo pode ter nascido em 1902, como reza sua certidão, ou em 1894, como dizem seus parentes. Chegou por Arujá, então distrito de Mogi, mas passou boa parte da vida na fazenda de Zeca Franco, fraldas da Serra do Itapeti. Deviam ser parentes: Zeca Franco, filho do coronel Souza Franco, era neto de José Franco de Camargo, e irmão de outra Josefina, a Finoca, que se casou com Adelino Borges Vieira. Mulher da roça, geniosa, por única vaidade tinha sua própria força. E, por orgulho, o de ser aplaudida na Entrada dos Palmitos da Festa do Divino Espírito Santo, ouvindo os apupos do povo: “Nhá Zefa!”. Morreu em 1991, com 89 anos segundo a certidão, ou 98, segundo seus parentes.

Outra característica da celebração é a ausência de personalismo. Embora haja sempre um ou outro político empunhando uma bandeira do Divino e sorrindo para o povo, na benção das bandeiras e na entrada dos palmitos, eles não são protagonistas, por mais que almejem a ribalta.

Esta pertence aos fiéis, razão para início e fim de tudo.