SAÚDE

Santa Casa anuncia medida de contingenciamento após superlotação da UTI Neonatal

SUSPENSÃO As gestantes podem ser encaminhadas a outros hospitais da região, segundo a Santa Casa. (Foto: Eisner Soares)

O movimento foi grande na Santa Casa de Mogi das Cruzes ontem, mesmo depois da decisão da instituição de suspender temporariamente o atendimento a gestantes por conta da superlotação no setor de maternidade. A atenção ficou restrita a casos de urgências e emergências obstétricas. Mas, mesmo assim, cerca de 100 pacientes passaram por exames clínicos. Houve casos mais graves e a necessidade de transferências de gestantes para outros hospitais da região através da Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross).

O diretor-técnico do hospital, o médico Ricardo Bastos, explica que apesar de a Santa Casa ter tomado a decisão de suspender o atendimento não significa que a entidade está com as portas fechadas para as gestantes.

Segundo ele, todas as pacientes que procuraram os serviços ontem foram atendidas e as que não estavam em trabalho de parto e nem apresentavam qualquer situação de sofrimento foram orientadas a voltar para suas casas e aguardar. Só permaneceram no local aquelas que requeriam cuidados especiais.

O problema, segundo ele, não se refere à falta de espaço para acomodar as parturientes, já que isso poderia ser resolvido utilizando leitos de outros setores, como também já vem sendo feito. “A preocupação maior é com as gestantes de riscos que precisam de ter a garantia de um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal para os bebês, que vão ter problemas com a falta de vagas. O objetivo maior é o de garantir a segurança e evitar danos irreparáveis as pacientes diante da constatação de que o serviço se encontra com sua capacidade ocupacional, física e operacional esgotadas”, reforça.

A decisão de restringir o atendimento, segundo Bastos, foi tomada em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde, que também colocou o serviço de ambulância para ajudar na remoção de pacientes quando há necessidade. Existe também o apoio do Cross, que até a tarde de ontem havia conseguido remoção de uma gestante de risco para o Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba. Havia mais uma na fila de espera aguardando vagas para outras unidades de saúde.

Até o fim da tarde, a maternidade estava com 39 bebês no setor Neonatal, destes 19 em UTI, 20 nos setores intermediários, sendo que a instituição tem capacidade para 25 vagas. Isso significa que tem 14 recém-nascido que a mais da capacidade. Para poder manter esse atendimento, o hospital precisa alugar equipamentos de empresas especializadas, um custo adicional que tem que ser custeados pela própria instituição, que realiza em média, 450 partos por mês, e um atendimento de aproximadamente 2 mil gestantes

A Santa Casa explica ainda que adotou um plano de contingência que inclui: a notificação das autoridades responsáveis como secretarias estadual e municipal de Saúde, Samu e Cross; a adequação de equipamentos e equipe médica, de enfermagem e multiprofissional que possam fazer frente às necessidades do momento; a solicitação de transferência de casos de Alto Risco para o Cross; instalação de medidas de apoio do serviço de Controle de infecção Hospitalar para atuação preventiva evitando qualquer complicação decorrente do aumento da demanda e implantação de leitos extras de UTI Neonatal (reserva técnica).

Janeiro tem superlotação

Desde 2017 a Santa Casa sofre com o problema de superlotação sempre no início de cada ano e precisa adotar medidas restritivas. Diretor técnico da instituição, o médico Ricardo Bastos disse que não existe uma explicação científica para isso, mas ele acha que o aumento da demanda pode estar ligada ao Carnaval, período em que muitas mulheres acabam ficando grávidas e os noves meses depois cai nesta época.

Ele cita ainda o crescimento da cidade e aumento populacional que é registrado a cada ano. “A cidade cresce, mas o número de vagas continua o mesmo”, observa. Para resolver isso, lembra que já estão sendo tomadas providências para ampliar o número de leitos e acabar com a superlotação na Santa Casa.

Bastos aponta duas iniciativas nesse sentido. Uma delas será a ampliação da própria maternidade da Santa Casa, cujas obras estão revistas para ser iniciadas no segundo semestre neste ano. Isso garantirá mais 10 leitos de UTI e 17 vagas para gestantes. Outro projeto refere-se à nova maternidade que a Prefeitura começará a construir neste ano no distrito de Braz Cubas, ao lado do Hospital Municipal.


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