NA SERRA

Santo Alberto, cemitério mais antigo da cidade, realiza cerimônia religiosa

NA SERRA Cemitério mais antigo em funcionamento em Mogi. (Foto: Elton Ishikawa)
HISTÓRIA Cemitério de Santo Alberto é tido como o mais antigo de Mogi e está localizado próximo à capela do santo, no Itapeti. (Foto: arquivo)

O cemitério mais antigo ainda em atividade em Mogi das Cruzes hoje recebe apenas os corpos de pessoas que são ou já foram ligadas à região da Serra do Itapeti. Diferente dos demais cemitérios da cidade, que nesta época de homenagens à memória dos que já morreram têm programação para limpeza e manutenções, no Santo Alberto a cerimônia é tradicional e característica ao local: uma missa será celebrada na capela amanhã, às 10 horas. Em seguida, os presentes vão até o cemitério, que fica ao lado, para fazer mais orações e cuidar dos jazigos.

Joaquim Marciliano da Silva, de 67 anos, é o atual coordenador da capela e do cemitério. Ele conta que a família chegou ao local há muito tempo, e que os dois já existiam. A história que sabe, mas que não tem confirmação, foi contada pelo pai dele, que morreu há 15 anos aos 84 anos.

“Ele dizia que contavam, desde que ele era pequeno, de que em uma época começou a morrer muita gente por conta de uma febre forte, parecida com a febre amarela. Os primeiros corpos foram levados para a cidade, mas depois não tinha como levar mais, porque eram muitos mortos e eles eram carregados em uma espécie de rede, por isso decidiram fazer o cemitério ao lado da capela. Mas isso ninguém tem como afirmar e nem saber a idade, porque a capela é de 1611. Registro mesmo a gente tem dos últimos 50 anos para cá”, detalha.

O sogro de Marcílio, Manoel Domingues de Godoi, que morreu há sete meses, morou a a dois quilômetros da capela, e exigiu à família que fosse enterrado naquele cemitério. O coordenador conta que é comum que isso aconteça, sobretudo entre os mais velhos, que querem continuar pertencendo àquela terra, mesmo após a morte.

Morador do bairro do Beija-Flor há 30 anos, o comerciante Domingos Leite de Araújo, de 70 anos, viu muitos amigos e vizinhos serem enterrados no cemitério do Santo Alberto. Para ele, é de extrema importância que o local seja preservado, porque é, também, uma memória da serra. “As pessoas contam que quando a capela passou por reforma, foram encontradas ossadas de gente que tinha sido enterrada dentro dela. Então é uma tradição dos mais antigos e deve ter um significado, além do desejo de muita gente de querer ficar por aqui”, diz.

O historiador Glauco Riccieli explica que a história da Capela de Santo Alberto remonta para a Mogi das Cruzes do começo do século XVIII, em que a população da serra vivia da produção agrícola, e a região era bastante utilizada pelos tropeiros que seguiam rumo ao Vale do Paraíba.

“O cemitério possivelmente foi agregado à capela ao final do século XVII, mas com cruz de madeira que no decorrer do tempo foram se perdendo. Aqueles corpos que estão lá hoje são, basicamente, do século passado”, diz.

Ele conta ainda que a fundação da capela foi dos Carmelitas, que tinham ganhado a terra de Gaspar Vaz. A área de Mogi ia da região de São José dos Campos até a Penha, na capital, pertencia a Mogi.


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