EDITORIAL

Saúde mental

Ansiedade, depressão, perda da qualidade do sono, desânimo e o aumento dos conflitos pessoais, familiares e sociais são relatos frequentes na pandemia.

Reportagem publicada por este jornal, no final de semana, mostra o aumento da procura pelo atendimento psiquiátrico e psicológico em projetos que ajudam a sustentar as políticas públicas e institucionais à disposição do mogiano. Entre eles, estão o Programa de Saúde Mental, da Secretaria Municipal de Saúde, e a clínica de Psicologia do Centro Universitário Braz Cubas.

São esteios tradicionais à parcela da população que já procura por um atendimento que se populariza, felizmente, há algum tempo. As doenças mentais ainda alvo do preconceito e temor. Mas, aos poucos, os estigmas mais pesados vão ficando para trás.

Além de todas as demais demandas que a pandemia criou, a atenção aos problemas mentais nascidos ou aprofundados durante o isolamento social e a brutal ruptura da rotina, dos planos e dos sonhos das pessoas, exigirá muito do poder público.

Sem o equilíbrio mental e psicológico, a recuperação pessoal dos que vão dizer, no futuro, “eu vive a pandemia de 2020 – e da sociedade será ainda mais lenta e dolorida.

Uma nova doença, como é o caso da Covid-19, interfere de diferentes maneiras na vida dos indivíduos de todas as idades e servirá de gatilho para o desenvolvimento de dificuldades ou distúrbios comportamentais.

Jovens, por exemplo, se veem sem rumo diante das situações comuns a todos (a insegurança sobre a doença, a perda de familiares, a redução dos salários e as incertezas sobre o futuro, o trabalho, o ensino, etc.). Adultos, estão na mesma situação e ainda precisam dar respostas aos filhos, sobrinhos e netos, às novas gerações. Nos idosos, todo esse quadro se torna mais agudo um por fato inexorável – eles são os mais vulneráveis à doença.

Importante reconhecer o papel das clínicas de Psicologia das universidades mogianas e do Programa de Saúde Mental – este último, aliás, inovou ao franquear os telefones dos profissionais aos pacientes, para o atendimento remoto.

À cidade, o principal desafio segue o mesmo, de antes da pandemia: descentralizar o atendimento e chegar aos núcleos mais pobres e distantes, onde o novo coronavírus aprofundou a exclusão social, medida, no caso de Mogi, pela régua trágica dos óbitos na cidade que aponta cirurgicamente que o número maior de vítimas reside na periferia.


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