EDITORIAL

Saúde plena

Incrível como passa o tempo, governos mudam, e a máquina pública não melhora

A estatura da rede pública de saúde de Mogi das Cruzes não condiz com a fila de espera por exames e consultas especializadas para alcançar a prevenção, tratamento e cura de doenças e elevar a qualidade de vida da cidade. Estamos caminhando para a conquista da terceira UPA, temos um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e um centro especializado no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, Santa Casa, policlínicas universitárias.

Poucas cidades brasileiras possuem rede semelhante. Porém, na prática, na prática mesmo, a população sofre para vencer a espera por um diagnóstico para tratar uma dor ou diminuir as chances de sintomas se transformarem em uma doença instalada.

A rede básica formada por postos de saúde e o programa Saúde da Família faz o primeiro atendimento a contento porque a cidade passou a contar, nos últimos 20 anos, com serviços próximos da casa da maioria dos moradores – mesmo aqueles que residem em bairros distantes do centro.

O problema começa quando o médico do “postinho”, apelido carinhoso para a rede básica, encaminha o paciente para um especialista. A demora por uma consulta, dependendo da área médica, demora meses. E essa demora é acompanhada por outro complicador: a espera por uma ligação telefônica com o agendamento do procedimento.

Situação igual acontece com os exames nem tão sofisticados assim como uma ultrassonografia ou uma endoscopia. Cirurgias não urgentes? Pode levar até um ano para serem marcadas.

É um tempo de sofrimento e apreensão que, não raras vezes, provoca o surgimento de doenças oportunistas, aquelas que se valem da queda da imunidade, das fragilidades emocionais, do desalento com o serviço público.

Nesta semana, esse assunto foi tratado em uma reunião com o secretário de Estado da Saúde, José Henrique Germann Ferreira, que prometeu um plano e uma visita a Mogi das Cruze para dezembro.

Incrível como passa o tempo, governos mudam, e a máquina pública não melhora. A demora por consultas e exames especializados é crônica. Todos sabem disso.

Confirmada pelo secretário, a vinda Carreta da Mamografia é ação válida. Mais de resultado provisório e pontual do que concreto.

O concreto seria não ter fila de espera o ano inteiro para um exame que detecta uma das maiores causas de câncer entre as mulheres. Nem ter dificuldades para marcar ultrassonografia, endoscopia, cirurgia para catarata, consulta com o cardiologista ou oftalmologista.

É a conquista da saúde plena que interessa o cidadão.


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