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Secretaria de Cultura de Mogi e Comphap podem receber bens arqueológicos

RARIDADE No acervo, há informações sobre ícones da história mogiiana como a Capela de Santo Alberto. (Foto: arquivo)

A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap) receberam um documento do Centro Universitário Braz Cubas, sob gestão do grupo Cruzeiro do Sul, informando que está desmontando o acervo do Núcleo Arqueológico da instituição, que abriga peças e documentos de 22 anos de pesquisa. O documento solicita posição dos dois órgãos sobre o interesse em ficar com as mais de 300 caixas de arquivo.

O titular da pasta, Mateus Sartori, recebeu na semana passada o documento e disse que a pasta se manifestou pelo interesse em abrigar o acervo. Mas, dada a relevância documental e histórica, não é só uma questão de receber. Porém, como o material requer a continuidade dos projetos de pesquisa sobre os registros, a ideia é manter uma parceria com a instituição.

Paralelamente a isso, a pasta está convocando o Comphap para que juntos montem uma comissão e busquem recursos, por exemplo, no Fundo de Interesses Difusos (FID), do governo do Estado, para manter esse Núcleo de arqueologia na cidade. “Com certeza, será um prazer ter a UBC como parceira para viabilizar esse processo. A universidade poderá fornecer corpo técnico e experiência nos mais de 20 anos em que esteve com o material”, ressalta Sartori.

O titular da pasta pontuou ainda que o Núcleo de Arqueologia não é um museu, nem um departamento de peças e que, para o funcionamento será necessário um profissional com mestrado ou doutorado em Arqueologia. É necessário também aval do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do governo federal. Além disso, será preciso um espaço físico, com salas expositivas e de formação, para o recebimento da reserva técnica de registros e laboratório.

Selmo Roberto, vice-presidente do Comphap, que interinamente está na presidência, disse que a instituição agiu corretamente ao notificar o poder público e o Comphap sobre a decisão de desmontar o acervo, e de dar uma destinação correta a ele.

“Criamos um grupo dentro do Comphap sobre o acervo arqueológico. Recebemos também a relação que dá conta de 320 caixas com o material”, explicou.

Na relação disponibilizada pela Comphap à reportagem, aparecem listados registros de pesquisas feitas em pontos da cidade Taiaçupeba, Capela Santo Alberto, Lago do Parque, Santa Rita, Pedro Rosa, São José, Capela Aparecidinha, Taboão, Ribeirão Grande, Parateí, Coleção Didática, Coleção Eldino Brancante, Sitio Petybon, Aterro Sanitário do Quitaúna, entre outros.

Grupo descarta o desmonte do acervo

O Centro Universitário Braz Cubas afirma que não está se desfazendo do patrimônio histórico arqueológico reunido em pesquisas nas últimas décadas, e procurou a Prefeitura para verificar o interesse do poderá público em receber esse material “para que seja possível dar maior visibilidade ao mesmo, e, por ventura, fazer parte de outros acervos históricos que a cidade possa já ter”.

Segundo a instituição, o acervo representa “um capítulo importante da história pré-colonial e colonial do município”

Os bens de valor arqueológico são protegidos pela lei federal 3.924, de 26 de julho de 196. “São bens patrimoniais da União e continuarão sob os cuidados da Braz Cubas pelo tempo que for necessário”.

A Braz Cubas destaca que deverão ser tratados questões como a infraestrutura disponível. “Sabendo não se tratar de um procedimento simples e rápido, mas sim de algo que demanda atenção a longo prazo, tudo será feito de maneira a preservar, principalmente, a representatividade desse material na formação cultural e dos cidadãos mogianos, que merece ser apreciado e valorizado por sua comunidade”, encerra a nota.


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