BALANÇO

Secretário Mateus Sartori avalia a Cultura em 2019 e apresenta projetos para o próximo ano

FOCO Mateus Sartori diz que a Secretaria de Cultura precisa melhorar o sistema de comunicação com o público . (Foto: Eisner Soares)

O secretário Municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori, diz que 2019 foi um ano produtivo, em que todos os serviços foram mantidos e houve a retomada de dois projetos grandes: o Carnaval e a ExpoMogi. Outro motivo de celebração, segundo ele, é a maturidade da sociedade em relação a editais e leis de fomento. “Os empresários estão perdendo o medo da lei, entendendo que é bom divulgar a marca associada a um projeto cultural, e os artistas e produtores de modo geral estão aprendendo a fazer projetos, o que coloca Mogi na contramão das políticas federais e estaduais”.

Em relação ao ano passado, o secretário afirma que em 2019 mais projetos foram financiados pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC), e também o Programa de Fomento à Arte e Cultura de Mogi das Cruzes (Profac) cresceu – o novo edital soma R$ 720 mil. “Isso nos mostra que a economia está mudando, porque a pessoa paga, na LIC, a porcentagem do que paga de ISS. E se ela tem mais movimentação de ISS, significa que mais serviços foram prestados”.

Mesmo num tempo em que a segurança dos espaços públicos foi colocada em cheque – vide o episódio do desaparecimento de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição da Pinacoteca, em abril -, Sartori considera o cenário favorável e anuncia a criação de “companhias municipais” para 2020. A ideia é repetir em outros segmentos o sucesso da Orquestra Sinfônica da cidade, reconhecida nacionalmente. O projeto deve começar com um grupo oficial de teatro, outro de dança contemporânea e mais um de danças urbanas.

Além disso, há “grande possibilidade de termos a unidade provisória do Sesc funcionando como um dos presentes dos 460 anos da cidade”, avalia o secretário que disse ter feito uma visita recente ao Centro Esportivo do Socorro e garante que há “condição mínima e certa estrutura” que viabilize a entrega das obras no segundo semestre de 2020.

Análise

De acordo com o secretário, é para se comemorar o fato de que em 2019, mesmo diante de medidas de achatamento cultural em nível nacional, “nada foi subtraído” na cidade. Para tanto, a saída foi “reduzir algumas coisas”, como o Festival da Canção, que abriu mão das bandas em preferência à voz e violão, ou o concurso fotográfico Mogi Revela, que teve modificações na programação e no valor do prêmio.

As mudanças se fizeram necessárias principalmente pelo retorno do Carnaval e da ExpoMogi. “O recurso gasto nestes dois eventos é basicamente o que se teria para fazer grande parte das produções do município”.

R$ 545 mil foram gastos com a contratação de artistas como Anitta, Kevinho, Vitor Kley e Mateus e Kauan, e também o conterrâneo e mirim MC Caverinha para cantar na semana do aniversário de Mogi. Além da chuva de críticas nas redes sociais, o Ministério Público de São Paulo (MP/SP) instaurou um inquérito para apurar possíveis irregularidades em relação aos valores.

“No começo isso nos chateou um pouco, porque a discussão não é quanto se gastou e o que poderia ter sido feito com o dinheiro do cachê dos artistas. As pessoas começaram a entrar na coisa do gosto, que é algo muito complicado”, diz Sartori, que não abrirá mão da programação em 2020. “Vamos ‘arrebentar a boca do balão’, com um dia a mais de festa”.

Sartori não tem receio de comentar a principal deficiência da Pasta: a comunicação. “Esse é nosso ‘Calcanhar de Aquiles’, nossa maior crítica. Sempre que fazemos um evento, tem gente que fiz que não fica sabendo das ações, então percebo e assumo que essa é uma grande dificuldade”.

Mas, considerando que a Cultura de Mogi está nas redes sociais, nos jornais, na TV, nas rádios e até mesmo na tela dos ônibus, qual seria a falha no processo? “Acho que a forma de comunicar. A gente precisa falar a mesma coisa para um público muito diverso, e esse é um dos pontos que precisamos entender e melhorar”.

Perdas e ganhos

Em março, Mogi se despediu do Casarão da Mariquinha, que fomentava a arte na área central. Em outubro, deu adeus ao Galpão Arthur Netto, reduto de resistência artística, principalmente circense e teatral. Na opinião do secretário municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori, em ambos os casos “a cidade ficou mais triste”.

“O Galpão Arthur Netto com toda sua história, importância e relevância que tinha, a diversidade de ações que foram realizadas naquele lugar; e o Casarão da Mariquinha também com sua relevância, porque era um território que trazia movimentação para o Centro”, lamenta ele.

Sartori afirma que nada substituirá estes dois fechamentos, porém comemora, no mesmo período, o surgimento de pelo menos dois novos espaços: o Terra de Almofadas, que almeja o desenvolvimento humano por meio de música e arte na Vila Lavínia; e a Escola de Arte Ousadia, que representa novo fôlego de resistência na área central. “A cultura tem essa característica de resistir, lutar e nadar contra a corrente, então são dois territórios que nasceram agora e outros vão nascer também”.

Projetos do turismo

Para o secretário Mateus Sartori, o próximo ano será tempo de “colher todos esforços de 2019” em relação ao turismo. Até o momento, ele diz que a captação de verba como Município de Interesse Turístico (MIT) foi suficiente apenas para financiar as contrapartidas dos projetos, mas que agora será possível sentir os efeitos práticos dos mesmos.

“Vamos inaugurar no começo do ano que vem as mudanças no Pico do Urubu, a Estação e o Museu de Sabaúna e ainda há vários outros que vamos iniciar, como as obras do centro de convenções do Leon Feffer”, diz ele.

Para manter o título e a verba recebida do Governo do Estado, é preciso apresentar novas iniciativas a cada ano. Em 2019, o foco esteve no cicloturismo. O resultado? “Vamos construir duas pistas de bumptrack, uma no Botyra, para tentar dar uma revitalizada nele, e outra no Leon Feffer”.

Já o projeto a ser aprovado em 2020 será a reforma do Centro de Cidadania e Arte (Ciarte), que deve ter de volta sua “fachada história e deve voltar a se chamar Cine Teatro Odeon”.

Liberdade artística

‘Na Volta que o Mundo Dá’ é o título do sexto disco de estúdio de Mateus Sartori. O material acaba de ser gravado num estúdio em São Paulo e deve ser lançado entre março e abril de 2020. No entanto, não há agenda de shows prevista, já que trata-se de um projeto mais de “alforria”.

Isso quer dizer que o disco, em formato digital, representa um grito de liberdade do cantor. “Tem temas políticos sendo discutidos, e falo que parede de barro não prende ninguém. É o que eu gosto de fazer, viver da arte, da cultura, e a música me tira um pouco desse clima burocrático que tem a administração pública”.

Falando nisso, o ano que está por vir terá eleições para o pleito municipal. Qual o futuro do atual secretário de Cultura e Turismo? “O disco nasceu justamente para fazer outra coisa na cultura que não fosse produzir eventos da Secretaria, que não vejo a secretaria como uma atividade profissional fixa. Mas ainda é muito cedo para falar nisso”.


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