APURAÇÃO

Setor de Homicídios de Mogi investiga guardas municipais por morte de inocentes em Itaquá

JUSTIÇA Títular Rubens pediu alvará de soltura para Kaue que quer Justiça para ele e os colegas. (Fotos: Laércio Ribeiro (esquerda), Hélio Torchi (direita).

Os guardas municipais Emanuel Formagio, de 39 anos, e Adriano Borges Rodrigues, de 41 anos, passaram de vítimas de latrocínio (roubo seguido de morte) a investigados pela morte de dois homens e de um terceiro que também ocupava um Siena, num autoposto à margem da rodovia Ayrton Senna, km 37, na Vila Japão, em Itaquá, onde houve um tiroteio, na tarde de sábado último (12), que também culminou na morte de Roberta Maria de Franca, de 35 anos, namorada de Emanuel. A esposa de Adriano, Denise de Miranda, de 29 anos, foi ferida de raspão. A divulgação foi feita na manhã desta quinta-feira pelo delegado titular Rubens Angelo, titular do Setor de Homicídio de Mogi das Cruzes, durante coletiva à imprensa na sede da Delegacia Seccional, no Shangai.

Ele informou que “a Prefeitura de Itapecerica da Serra, onde os guardas trabalham, já os afastou administrativamente de suas atividades”. As pistolas automáticas, de calibre 380, do órgão municipal, usada pelos dois em serviço, estão apreendidas e foram levadas para exames balísticos na Polícia Cientifica. Uma pesquisa deve indicar de onde partiu o tiro que atingiu e matou Roberta. Cada guarda deu 16 tiros durante a ação no posto de gasolina, na tentativa de impedir o roubo de suas motos BMW, mesmo assim, uma delas foi levada.

Para o delegado Rubens Angelo, “é necessário aguardar os laudos da Polícia Científica e do Instituto Médico Legal. Há um prazo de 30 dias, mas pode demorar até 90. Vou pedir celeridade, pois somente após a analise deles é que poderei chegar totalmente à conclusão do que aconteceu no posto, na tarde daquele sábado”.

Nas buscas a Polícia localizou dos vídeos que mostram o Siena estacionando perto das bombas e por coincidência surgem dois bandidos empunhando armas e anunciando o assalto.

Para a autoridade, há indícios, porém ainda não é possível verificar a atuação de cada guarda municipal envolvido na ocorrência”.

Caso os laudos confirmem as suspeitas, os guardas podem responder por duplo homicídio, tentativa de assassinato e lesão corporal dolosa (com intenção).

O vendedor ambulante Kaue Francisco Oliveira, o “Palito”, de 21 anos, desde sábado dizia na delegacia para onde foi escoltado após ser medicado em razão de receber um tiro em uma das mãos, coronhadas e chutes de um dos guardas, foi colocado em liberdade pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Itaquaquecetuba.

“Na hora, eles (os guardas) falaram que eu estava envolvido no assalto, mas disse que no carro somente havia sorvete e água. No posto onde paramos para abastecer o Siena, um dos meus colegas gritou: ‘Palito, não olha para trás senão eles vão atirar em nós’. Fui chamado de ladrão. Eu quero Justiça, mataram inocentes, nada vai trazer a vida dos meus amigos de volta”.

O delegado Rubens Angelo requisitou à Justiça que Kaue fosse solto e na noite desta quarta-feira a autoridade comunicou a direção do Centro de Detenção Provisória, em Suzano. “Eu encontrei diversos fatores que indicavam a inocência de Kaue e representei ao juízo pela sua liberdade. Eu pessoalmente estive conversando com o juiz no Fórum”.

Inocentes

O delegado Rubens Angelo explicou que através de intenso trabalho de “investigação e de inteligência policial se tornou possível entender a dinâmica dos fatos”. Ele afirmou que “pelos elementos probatórios que foram amealhados ficou patente que a pessoa de Kaue não tem nenhuma participação no crime de latrocínio ocorrido e sua prisão seria injusta”.

O titular do Setor de Homicídios citou alguns pontos que comprovam a inocência de Kaue e também dos seus colegas que foram baleados e morreram. São eles: Rodinei Alves dos Reis, de 33 anos, e Bruno Nascimento Martins de Souza, de 32 anos.

Os aspectos que convenceram a autoridade da inocência de Kaue e dos colegas são vários, entre os quais: “A testemunha que dizia ter ouvido Kaue anunciado o roubo, se retratou, dizendo que não reconhece Kaue como participante do crime; as imagens das câmaras descartam o seu envolvimento no assalto e a de seus colegas; o Siena, de Rodinei, ocupado pelos ambulantes, não tem queixa de furto ou roubo, é da mulher de Rodinei, e os próprios guardas não reconhecem Kaue como um dos autores do roubo”.

O único criminoso que continua preso no CDP de Suzano é Caio Jorge Marques, de 20 anos, possuidor de passagens por furtos e roubos desde a sua adolescência. Preso, na noite do último sábado, na Santa Casa de Suzano, onde foi para ser medicado, ele inventou uma história. “O Caio é dissimulado, alegou que saiu de um churrasco e foi baleado ao ser assaltado, mas não sabe dar detalhes”. O comparsa dele, que o acompanhou na fuga com a moto roubada de um dos guardas, não foi encotnrado. Já a BMW foi localizada abandonada em Itaim Paulista, na zona leste de são Paulo.


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