EDITORIAL

Shiguetoshi Suzuki

Está a completar 100 anos a chegada, a Mogi, do primeiro imigrante japonês. Seu nome: Shiguetoshi Suzuki, homenageado com a designação de uma rua, no distrito de Braz Cubas. A história do pioneiro e de sua família passa longe do estereótipo das primeiras levas de japoneses que aportaram por estas bandas. Seria gente em fuga da crise japonesa, a maioria sem formação técnica.

Pois Suzuki não era nada disso. Chegou a Mogi, com a família, em setembro de 1919, quando tinha 32 anos e uma sólida formação técnica na lavoura. Graduou-se pela Escola Superior de Agricultura do Japão e, logo depois, partiu para os Estados Unidos. Foi trabalhar na fazenda de um tio. Alguns anos depois, voltou ao Japão e viu-se envolvido, no que seria hoje, pela depressão. Não admitia a resistência dos agricultores japoneses em assimilar as técnicas que aprendera nos Estados Unidos.

Essa foi a razão para ele desembarcar aqui em 1919, segundo registra Isaac Grinberg, em seu “História de Mogi das Cruzes”. Esteve primeiro em Sabaúna, submetido, e à família, a condições precárias de sobrevivência. Saiu de lá e fixou-se no Cocuera, estabeleceu sinergia com o patrão, deu-lhe safras gordas e recebeu remuneração decente. O suficiente para dar-lhe os recursos com os quais comprou um quinhão de 10 alqueires, também no Cocuera. Suzuki pode, então, aplicar todo seu conhecimento técnico e tocar adiante lavouras em muito diversas daquelas até então cultivadas em Mogi. Entretanto, como não há bem que sempre dure, tampouco mal que nunca se acabe, Shiguetoshi Suzuki morreu jovem, em junho de 1933, aos 45 anos de idade.

Sua persistência e dedicação ao ofício que cultivava foram, por muitos anos, citados como exemplo na colônia japonesa de Mogi, esse incrível conglomerado de gente, que tem capítulos antológicos na história de Mogi das Cruzes

O Diário

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