EDITORIAL

Sina histórica

É uma sina histórica: com raríssimas exceções, as reivindicações saídas da nossa comunidade não encontram eco nas esferas decisórias de São Paulo e Brasília. E há exemplos, muitos exemplos, dentre os quais o mais recente é a postura da Secretaria de Saúde do Estado, por nós revelada na edição domingo, descartando o estabelecimento de um heliponto no Hospital Luzia de Pinho Melo. A explicação formal deles: é desnecessário.

Por anos, este jornal e deputados locais levaram o pleito ao Palácio dos Bandeirantes. A mais recente foi nossa, por ocasião de entrevista com o governador João Doria. Ele próprio reconheceu, no dia 21 de maio, que alguns minutos podem significar, neste caso, a preservação de vidas. Não é, entretanto, o que crê sua Secretaria da Saúde

Igual postura assume o governo federal, em relação aos serviços de emissão de passaportes. O Departamento de Polícia Federal mantém, no Interior de São Paulo, 16 postos desse tipo. São repartições nas quais o DPF contrata empresas privadas para o serviço. Eles funcionam, em boa parte, em shoppings centers. Desses 16 postos, 12 operam em municípios com população menor que a nossa. Alguns não têm nem 20% das 440 mil pessoas que habitam aqui. Como é o caso de Cruzeiro, com seus 81 mil habitantes, que deve o serviço ao ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, prata da terra. Não nos referimos a São Sebastião (74 mil habitantes) e a Santos (434 mil habitantes), por reconhecê-las cidades com portos e, supõe-se, forte migração.

Mas, nos é difícil justificar a inexistência de um posto emissor de passaporte, em Mogi, quando se constata sua operação em Araraquara (143 mil habitantes), Araçatuba (178 mil) e Bauru (337 mil). Também há postos em Marília (237 mil habitantes), Piracicaba (297 mil), Presidente Prudente (207 mil), São Carlos (239 mil) e São José do Rio Preto (431 mil). Pior ainda é tentar explicar que não há, aqui, o que existe em Jales, cidade paulista de 49 mil habitantes.

Há outras incongruências gritantes, como a fixação de um posto da Polícia Rodoviária na estrada Mogi-Bertioga, que tem movimento médio de 12 mil veículos/dia e sua ausência na Mogi-Dutra, movimento de 42 mil veículos/dia. Nesta última, os policiais se prestam a agentes arrecadadores, como ontem cedo, quando um deles, empunhando radar móvel, estava a multar motoristas que ultrapassassem o limite de 80 km/h.

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