EDITORIAL

Sinal amarelo

Aprovado por unanimidade pelos vereadores, o projeto de lei que permite a manutenção do sinal amarelo piscante de meia-noite às 5 horas em determinados semáforos dependerá do “sim” do prefeito Marcus Melo (PSDB) para passar a vigorar.

A legislação permite a mudança em pontos considerados perigosos, com maior índice de violência. Após a definição dessas ilhas de insegurança, o motorista terá passagem livre durante a madrugada.

A mudança nas atuais regras do trânsito municipal tem motivo. O cidadão está muito exposto aos crimes em Mogi das Cruzes, mesmo com os investimentos e os recursos de custeio dos serviços de segurança pública (como o sistema de monitoramento eletrônico, a atividade delegada, e, em breve, o armamento da Guarda Municipal). O orçamento desta pasta para este ano foi de R$ 18,7 milhões.

Autor do projeto, o vereador Mauro Assis Margarido (PSDB) defende a realização de uma campanha de conscientização destinada a informar o motorista sobre a mudança, caso ela seja aprovada. Também será necessário sinalizar bem esses semáforos e escolher aqueles em que a alteração no sistema não vai colocar em risco a vida das pessoas.

Algumas cidades que aprovaram semelhante medida registraram imediatamente após o início da lei em vigor, um aumento de graves acidentes ocorridos durante a noite. Houve, inclusive, municípios que voltaram atrás e mantiveram tudo como estava antes.

A criminalidade e a violência do trânsito ampliam os índices de morte de homens e mulheres, e de vidas marcadas por sequelas deixadas por acidentes ou crimes. Eis o grande desafio nessa questão: durante a noite, o cidadão poderá estar protegido contra o ladrão, mas não da incúria e/ou descuido de si próprio ou do outro motorista, e ter os prejuízos financeiros ou ser marcado por uma tragédia que, no pior dos quadros, tira a vida de uma ou mais pessoas.

Tornando-se lei, ou não, o assunto merece atenção das autoridades do trânsito e da sociedade civil organizada. O projeto de lei alerta sobre algo gravíssimo: o aumento dos crimes à noite e as mudanças no comportamento das organizações criminosas.

Antes mesmo da decisão final do prefeito Marcus Melo, os vereadores têm uma excelente oportunidade de cobrar mais das polícias Militar e Civil. Se os índices de crimes aumentam à noite é porque falta policiamento ostensivo e preventivo, em especial, se os registros estão acontecendo com mais frequência.

Que se identifiquem os pontos merecedores de policiamento, por meio de um levantamento dos registros, e, desde já, que eles sejam alvo de operações que combatam os crimes.