EDITORIAL

Sinal de alerta

É temerário desconsiderar os picos de atendimento no hospital de Braz Cubas e no Pró-Criança

Entre maio e junho, o número de crianças atendidas por dia no Hospital Municipal Prefeito Waldemar Costa Filho, em Braz Cubas, registra um aumento típico dos meses marcados pelas temperaturas mais baixas, quando gripes e resfriados levam mais pessoas de todas as idades para os serviços de saúde. Pesa na alta demanda, ainda, a assistência ao paciente que reside em outra cidade e vem para Mogi por falta de ter onde levar os filhos.

Por mais que o balanço apresentado pelo secretário municipal de Saúde, Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho, e pela direção do hospital explique as dificuldades em atender a sobrecarga da agenda médica, ele não serve para aquietar a mãe ou o pai de um filho ardendo de febre que passa horas à espera da consulta médica. Em média, 350 crianças foram atendidas por dia de 1 a 17 deste mês. Em maio, a média foi 305 atendimentos por dia.

Nem todos os pacientes têm quadros gravíssimos, mas a demora por um diagnóstico de uma doença em um bebê ou criança pode ser fatal. É temerário desconsiderar esses picos de atendimento no hospital de Braz Cubas e no Pró-Criança, especializado no pronto atendimento infantil, é um erro gravíssimo.

A superlotação volta a impor o sinal de alerta na rede municipal transformada em referência regional por falta de estrutura nas demais cidades, em especial, as menores.
De tempos em tempos, o assunto volta a mostrar o desajuste entre o crescimento populacional das cidades do Alto Tietê e os investimentos em saúde. E, isso, não apenas no pronto socorro e no pronto atendimento, mas também em áreas eternamente nevrálgicas como a maternidade.

Melhor estruturada, Mogi das Cruzes socorre milhares de moradores do Alto Tietê e também responde por falhas como as cobradas por este jornal em nossa edição de ontem e em redes sociais por pais.

Iniciativas projetadas no passado, como a cobrança de recursos financeiros federais e estaduais que possam amenizar o alto custo gerado pela falta de estrutura nas demais cidades precisam ter continuidade, bem como uma rígida fiscalização ao que tem sido feito pelas organizações sociais contratadas pela Prefeitura.

Na saúde, a superlotação tem efeitos imediatos no tratamento e cura de doenças, em especial, quando o paciente é um bebê ou criança, ou um idoso.

Mogi, nesse capítulo, não pode esquecer jamais o drama de mães que perderam os filhos recém-nascidos por causa dessa mesma falha, em passado nem tão distante assim que macula o nosso histórico da saúde pública.