EDITORIAL

Sinal de alerta

Casarão dos Duque é um patrimônio ameaçado

De interesse para a preservação da história de Mogi das Cruzes, o Casarão dos Duque é um patrimônio ameaçado. Os novos proprietários solicitaram a demolição do imóvel em processo que corre em segredo de justiça na Vara da Fazenda de Mogi das Cruzes.

Os atuais donos – a Sotto Teixeira Obras de Engenharia – pediram autorização para demolir a construção da família Barroroul, erguida em 1930 e símbolo de um curto período da incursão de Mogi das Cruzes no ciclo da produção paulista do café.

Mais ainda: os proprietários querem o fim do processo de tombamento do Casarão dos Duque reaberto neste ano pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural, Artístico e Paisagístico de Mogi das Cruzes (Comphap) após os recebimento de denúncias de vizinhos e vistorias que comprovaram a realização de intervenções que estão fragilizando ainda mais a estrutura do casario.

Há nove anos, após uma promessa registrada em cartório pelo antigo proprietário João Tadeu Machetti, de que o imóvel seria preservado no projeto de construção de duas torres de apartamentos residenciais, o órgão suspendeu o primeiro processo administrativo visando o tombamento.

Os planos do antigo dono não foram para frente. A área foi revendida.

Chegamos ao impasse atual. A cidade conseguirá salvar uma parte de sua história?

Na Vara da Fazenda, a defesa da Prefeitura será baseada na atuação do Comphap. Os conselheiros deverão demonstrar o interesse da cidade pela conservação e proteção do imóvel e apontar os meios existentes para se conter os problemas estruturais agravados justamente por falta de cuidados.

Houve reação de populares e defensores do patrimônio histórico à reportagem publicada por este jornal no sábado ultimo sobre os riscos de Mogi das Cruzes perder um de seus símbolos históricos. Vários compartilhamentos e comentários contrários à destruição do imóvel. E inclusive por pessoas que o desconheciam.

Isso modera o entendimento de uma parte das pessoas sobre o crescimento urbano alinhado à preservação de nossas referências.

Reagir por reagir, sem uma forte articulação em favor dos interesses coletivos, pode não ser o suficiente para fazer frente aos interesses imobiliários e econômicos neste caso, de quem está chegando agora em Mogi e manifesta-se pouco preocupado com a nossa história, leis e raízes.

O instrumento que a cidade possui para garantir a preservação do conjunto de casarios antigos é o Comphap. O órgão ampara-se na lei, mas carece de apoio popular e político. Desprestigiá-lo é torcer contra. É acelerar o processo de descaracterização do mobiliário urbano mogiano.

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