ECONOMIA

Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes defende reabertura com regras

ALERTA Valterli Martinez, do Sincomércio, lembra que o cumprimento de regras pode impedir o lockdown. (Foto: Fábio Aguiar)

O Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio) defende a reabertura das lojas de uma maneira regrada, mas ainda tem dúvidas de que isso possa acontecer na cidade. Ontem, o governador João Doria (PSDB) começou a divulgar como será a quarentena nos próximos dias em São Paulo. A medida para conter o avanço célere do novo coronavírus tem previsão de ser estendida, mas pode ser flexibilizada em algumas regiões do Estado.

“Nós estamos aguardando por essas decisões porque vamos trabalhar em cima delas e tomar atitudes a partir disso. Pela proximidade do Alto Tietê com a Capital, que hoje é um dos maiores focos da doença até mesmo no mundo, estamos muito preocupados com o que pode acontecer. Assim que o anúncio for feito, por uma flexibilização ou não, nós vamos aguardar por uma atitude por parte das Prefeituras da Região e ver o que é possível fazer para que não seja ainda mais prejudicial aos comerciantes”, comenta Valterli Martinez, presidente da entidade.

Ele ressalta que os empresários se preocupam cada vez mais com o passar dos dias, já que algumas das ações tomadas para evitar demissões durante este período tem um prazo definido que terminará em breve, como é o caso das férias ou da suspensão de contratos. Sendo assim, as dispensas já estão ocorrendo em maior número. Em meados de abril, 600 pedidos de demissão haviam sido registrados pelo Sincomércio. Agora, isso já está perto de dobrar, chegando aos 1,2 mil requerimentos.

Sem números oficiais divulgados recentemente pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o presidente explica que tem buscado números por outros meios. Na entidade, por exemplo, cerca de 80% dos exames médicos que estão sendo feito são demissionais, enquanto 15% são de contratação e o restante, 5%, são em pessoas que estão mudando de função dentro de uma mesma empresa.

“É para evitar que esses números piorem que defendemos a reabertura das lojas, mas tudo isso sendo feito de maneira muito regrada. Não queremos uma abertura irracional, porque é possível trabalhar sem causar tumulto ou aglomeração. A ideia é fazer tudo agendado e já estamos até mesmo trabalhando em busca de uma ferramenta para o empresário trabalhar com esses horários planejados”, conta Martinez.

Para que tudo possa fluir com segurança, o presidente relata que os funcionários deverão receber um treinamento de como deve ser feito o atendimento durante a pandemia. Além disso, destaca que as empresas que têm permissão para funcionar neste momento já receberam uma documentação por parte do Sincomércio que orienta como deve ser a atuação para que não leve riscos aos trabalhadores e aos consumidores.

Durante os últimos dias, quando São Paulo adiantou dois feriados, o índice de isolamento cresceu em Mogi. O Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP) do Governo de São Paulo mostra que doa dia 18 ao dia 21 ele ficou entre 47 e 48%, subindo na sexta-feira para 49%. Já no domingo, chegou a 56%.

Sendo assim, Martinez reforça que a reabertura do comércio deve acontecer junto à conscientização por parte da população. “É preciso entender que se as lojas voltarem a funcionar não é para ficar passeando. É para sair de casa somente se tiver necessidade, somente se for comprar e uma pessoa por vez, não sair em grupo. Se o número de casos aumentar com uma possível reabertura, isso pode ser muito pior para todos. Corremos um risco de ter um lockdown. Então, todos devem colaborar e se cuidar neste momento”, finaliza.


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