CRISE

Sindicato dos Metalúrgicos nega venda da subsede e o clube de campo de Mogi

A direção da entidade alega que não necessitará promover o desmonte de toda sua estrutura; subsede de Mogi fica localizada na Vila Industrial. (Foto: arquivo)

O Sindicato Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes que havia anunciado a venda da sede da entidade em São Paulo, a subsede e o clube de campo de Mogi, entre outros imóveis, esclarece que não será preciso abrir mão de todo o patrimônio para pagar a dívida de cerca de R$ 20 milhões, acumulada nos últimos meses. A direção da entidade alega que não necessitará promover o desmonte de toda sua estrutura para conseguir sair da crise que enfrenta com o fim da cobrança anual da contribuição sindical, agravada com o fechamento de várias empresas do ramo.

A informação é do sindicalista Davi Martins, diretor pela subsede de Mogi. Ele explica que com a venda da sede de São Paulo, no bairro da Liberdade, a diretoria do sindicato vai conseguir os recursos para “apagar o incêndio”, amortizar dívidas e colocar as contas em ordem.

Ele afirma que a intenção, inicialmente, era vender o imóvel que tivesse melhor oferta de mercado e pudesse garantir mais rentabilidade. O diretor disse que havia um leque de opções que incluíam os dois imóveis de Mogi, mas essa possibilidade, segundo ele, já está praticamente descartada depois da constatação que o retorno maior e mais rápido à entidade seria com o prédio da Capital, conhecido como Palácio do Trabalhador.

“Inicialmente colocamos todos à venda e combinamos de aprovar o que tivesse melhor proposta. Porém, constatamos que o imóvel instalado na rua Galvão Bueno, em São Paulo, é o mais valorizado e o que tem mais mercado”, ponderou.

A diretoria informou que estava negociando com uma empresa do setor de logística. Martins não confirmou, mas o negócio teria sido fechado por R$ 140 milhões. Após deixar a sede, o sindicato deve passar a atender temporariamente na Força Sindical até adquirir um imóvel menor.

O diretor ressalta que a situação chegou nesse ponto não apenas por conta da mudança na legislação que desobriga a contribuição que antes era descontada anualmente na folha dos funcionários. Outro motivo que contribuiu para agravar o caso, segundo ele, foi a diminuição pela metade da base da categoria, com o fechamento de várias indústrias na região.

“Tivemos redução na base de 250 mil para 120 mil trabalhadores e precisamos nos adequar a uma nova realidade”, reforça, acrescentando que já houve demissão de funcionários, enxugamento das despesas e agora a venda de parte do patrimônio.

Nos últimos dias estão circulando notícias sobre atraso no pagamento de 185 funcionários que trabalham na entidade. A informação não foi confirmada pela direção, cuja presidência também não se manifestou sobre a venda do patrimônio e afirmou que só pretende tratar do tema quando as negociações estiverem concretizadas.

O edifício de São Paulo tem 14 andares, com heliporto, auditório e três andares de subsolo capazes de abrigar até 250 carros. São duas torres de elevadores e espaço para exposições. O custo de manutenção do sindicato é de R$ 3,5 milhões mensais.

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