MUDANÇAS

Sinfônica Mogi mantém atividades em casa durante a pandemia de Covid-19

NOVOS FORMATOS Maestro da Orquestra e diretor artístico da associação Sinfônica Mogi, Lelis Gerson diz que não parar de produzir é imprescindível para a manutenção do grupo durante a pandemia. (Foto: arquivo)
NOVOS FORMATOS Maestro da Orquestra e diretor artístico da associação Sinfônica Mogi, Lelis Gerson diz que não parar de produzir é imprescindível para a manutenção do grupo durante a pandemia. (Foto: arquivo)

A Associação Sinfônica Mogi, responsável pela Orquestra Sinfônica Jovem e pelo projeto ‘Pequenos Músicos… Primeiros Acordes na Escola’, também sentiu os impactos da pandemia de Covid-19. Mas como diz seu diretor artístico, maestro Lelis Gerson, o grupo “não parou, não deu folga”. É fato que desde março não há encontros presenciais, mas isso não impediu que atividades seguissem online.

“Continuar com os trabalhos” foi uma das primeiras medidas tomadas pela associação. No caso da Orquestra, os músicos foram impossibilitados de ensaiar juntos, num mesmo ambiente, mas poderiam se debruçar sobre obras clássicas de casa. Assim todos estariam preparados para uma apresentação no futuro.

“Enviamos para os integrantes as partes das músicas e colocamos um prazo. Por exemplo, começamos a estudar a Sinfonia nº 5 de Bethoven, uma obra muito conhecida”, explica Lelis. A cada semana os integrantes da orquestra trabalhavam um dos quatro movimentos da peça e enviavam um “vídeo deles tocando aquela parte, cada um no seu instrumento”.

Além disso, desde que o coronavírus se tornou uma ameaça vêm sendo feitas “reuniões online para dar orientações aos professores e aos alunos”. Quando se esgotaram os movimentos da Sinfonia nº 5, os olhares se voltaram para ‘Alvorada’, de Carlos Gomes, um dos mais importantes compositores de ópera brasileiro.

Assim será o andamento das atividades da Orquestra, pelo menos até que sejam liberados concertos presenciais com restrições de higiene e respeito ao distanciamento. “Acredito que esse retorno não será dentro de um teatro, e sim num parque, um lugar aberto, com palco grande, para não corrermos nenhum risco”, opina o maestro.

É claro que a Sinfônica Mogi não ficaria de fora do mundo digital. O grupo tem preparado e disponibilizado gratuitamente vídeo-aulas “que servem tanto para os alunos de Mogi como para amantes da música em geral”. Outra aposta são as publicações de apresentações gravadas, com média de dois vídeos inéditos por semana.

Exemplos de concertos gravados que agora podem ser assistidos no YouTube são ‘O Guarani’, de Carlos Gomes, e ‘Nessun Dorma’, de Giacomo Puccini, ambas gravadas em Campos do Jordão antes da pandemia. Esses registros foram os responsáveis pela abertura do 12° Festival de Inverno Serra do Itapety – Mogi das Cruzes, nos últimos dias 4 e 5.

Nesse processo de home office, os ‘Pequenos Músicos’ de 21 escolas municipais não foram esquecidos. Num primeiro momento, quando ainda era desconhecida a extensão da quarentena, foi realizada uma “capacitação sobre musicalização da Secretaria de Educação” para os monitores do projeto, que saíram de férias na sequência.

A expectativa era que de no retorno destes profissionais o isolamento social já tivesse sido descartado, mas a realidade foi diferente. Sem aulas para ministrar, a saída foi realocar o capital humano para produzir conteúdo.

“Já era uma necessidade, porque temos vários métodos pedagógicos de música, mas não havia tempo para produzir cadernos para nosso projeto. Aproveitamos esse período para confeccionar esse material, e foi um sucesso total”, comemora Lelis Gerson, sobre a novidade: apostilas de histórias da música, manutenção de instrumento e outros temas, todos com linguagem apropriada para as faixas etárias atendidas pela iniciativa.

Esse conteúdo todo acabou de ser produzido há algumas semanas. Mas os colaboradores do projeto já tem outra missão, segundo Lelis. “Nos próximos dias vamos às escolas fazer a limpeza e a manutenção dos muitos instrumentos que estão parados há 90 dias”.

“É até estranho falar que isso me deixa feliz”, diz ele, “porque com toda essa pandemia, esse momento conturbado que nós estamos vivendo, estamos produzindo, não paramos”. Mas e as tão atuais lives? Estão nos planos da associação? A resposta é “sim”, mas com muitos cuidados.


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